Saúde

5 dicas para turbinar a saúde

Comentário(s) 02 agosto 2019

Com o aumento da expectativa de vida do brasileiro, a população passa a se preocupar mais com as doenças que podem surgir ao longo dos anos, como as cardiovasculares, ósseas, pulmonares e câncer. Porém, antes de entender quais são suas características, métodos de diagnóstico e tratamento, é necessário dar um passo atrás: como podemos nos prevenir para ter uma saúde de qualidade e escapar dessas doenças?

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2050, a previsão é de que 66 milhões de brasileiros estejam acima dos 60 anos, o que representará cerca de um terço da população. Porém, segundo o prof. dr. Carlos Scherr, cardiologista da Sociedade Brasileira de Cardiologia, “apesar de parecer algo alarmante, esse dado representa uma oportunidade para muitas pessoas repensarem a própria saúde, e se cuidarem. A saúde de amanhã é o fruto do que se faz ao longo da vida desde o nascimento”.

O médico explica que existem “práticas simples e poderosas para chegar com uma saúde de ferro na terceira idade, que podem (e devem) ser adotadas desde cedo”. Ele dá dicas e detalha cada uma delas: 

1) Pode parecer clichê, mas é real: se alimente bem

E isso não quer dizer que a alimentação deva ser composta apenas de verduras, legumes e frutas. “Se alimentar bem é ter uma dieta diversificada e equilibrada, sem radicalismos. Tudo pode: as quantidades é que vão variar de acordo com cada perfil. O que não pode são os exageros – lembrando sempre de manter a hidratação em dia e evitar o consumo de itens que não trazem benefícios à saúde, como bebidas alcoólicas em excesso”, afirma o médico.

Ter uma alimentação saudável é benéfico tanto fisicamente como mentalmente, e aqueles que se alimentam de forma adequada tendem a ter mais disposição e autoestima. “Além disso, a alimentação é uma aliada importante na prevenção de doenças como obesidade, câncer, anemia, diabetes, hipertensão arterial, entre outras”, conta.

Por fim, não se pode esquecer da importância do prazer ao comer. A refeição é uma experiência cheia de significados, que ultrapassam a nutrição em si. Por isso, equilíbrio e prazer são as palavras-chave. 

2) Mexa seu corpo regularmente

“O exercício físico regular e orientado proporciona condicionamento cardiorrespiratório e é a única maneira de ajudar a diminuir as perdas musculares decorrentes do envelhecimento, iniciadas com a diminuição do tônus muscular à partir dos 40 anos de idade. Além disso, a prática traz independência e reduz o risco de comprometimento cognitivo”, explica o doutor.

Em 2018, uma pesquisa divulgada pelas universidades de Birmingham e King´s College London, no Reino Unido, também trouxe dados relacionados ao assunto: o estudo revelou que pessoas mais velhas que se mantiveram ativas apresentam massa muscular preservada e sistema imunológico afiado.

“Vale dizer que ninguém precisa ser um atleta profissional para chegar bem à terceira idade. Qualquer tipo de exercício – seja caminhada, dança, musculação, ou outros –, com orientação de um profissional, é válido. O que importa é manter a regularidade na maioria dos dias da semana”, afirma. 

3) Estabeleça uma rotina de consulta ao médico e rastreamento de possíveis doenças

Uma pesquisa realizada em 2017 pela Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia – São Paulo (SBGG-SP), em parceria com a Bayer, com dois mil homens e mulheres brasileiros acima dos 55 anos, traçou um perfil do brasileiro na terceira idade, e identificou que alguns de seus principais receios em relação ao avanço da idade é não andar ou enxergar (21,3%) e desenvolver uma doença grave (18,2%). Apesar disso, sabe-se que muitas pessoas não frequentam o médico com regularidade – o que faz com que doenças sejam detectadas de forma tardia.

“É sempre válido lembrar que após a prevenção, o diagnóstico precoce é essencial para garantir uma saúde de qualidade no longo prazo. Isso garante que o tratamento adequado seja iniciado o quanto antes e as chances de sucesso sejam significativamente maiores”, explica o médico.

4) O cuidado com a saúde deve ser integrado: não deixe de lado sua saúde mental

Diversas situações do dia a dia fazem com que a saúde mental das pessoas seja impactada – um exemplo disso são as exigências da vida moderna, que requer ainda mais agilidade e disposição das pessoas. Esses fatores, por sua vez, podem influenciar no desenvolvimento de doenças como a ansiedade. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil é o país com o maior número de pessoas ansiosas no mundo, com 18,6 milhões convivendo com o transtorno.

“Por isso é importante manter o equilíbrio no dia a dia, separando sempre um tempo para fazer algo que descontraia e dê prazer, sem se esquecer também do descanso. Ler um bom livro, sair com amigos, meditar – existem várias técnicas de relaxamento que trazem uma sensação de tranquilidade e bem-estar, ajudando a lidar melhor com a vida moderna”, conta o dr. Carlos.

A boa notícia é que de acordo com a pesquisa da SBGG-SP com a Bayer, a maioria (76%) dos entrevistados afirmaram ler ou praticar alguma atividade que desafia o cérebro, e 64% disseram frequentar eventos sociais semanalmente. “Cada pessoa deve escolher, de acordo com suas particularidades, a atividade que quebra a rotina e traz uma sensação boa. Isso é parte essencial no cuidado com a saúde como um todo”. 

5) Fuja do isolamento e da solidão

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), o termo “saúde” é definido como “um estado de completo bem-estar físico, mental e social”, e não somente a ausência de doenças. Por isso a importância de se manter longe de um isolamento e, consequentemente, da solidão. E esse é justamente o principal receio apontado pelos entrevistados da pesquisa da SBGG-SP com a Bayer – eles têm medo de ficarem sozinhos à medida que os anos passam.

Sendo assim, apesar da importância de se desenvolver uma independência e dedicar um tempo para si, não se pode deixar de lado o convívio com outras pessoas, como amigos e familiares. Essas experiências trazem ganhos físicos e emocionais da infância à velhice, e também contribuem para o autoconhecimento, além do aprendizado sobre conviver com as diferenças.

“O contato com pessoas diferentes é uma oportunidade de nos conhecermos melhor e nos construirmos ao longo do tempo, além de contribuir também com o desenvolvimento do outro. Por isso, a construção de relações é imprescindível para uma vida saudável e mais feliz. Conviver com grupos de interesse mútuo é trazer vida”, finaliza o médico.

Edição 250

Novembro 2019

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