Saúde

A escuta e a psicologia

Comentário(s) 07 julho 2019

Andréia Ferraresi Beraldo

Andréia Ferraresi Beraldo

Você é escutado(a)? Você escuta? O que é escutar? Qual a dife­rença de ouvir e escutar? Se­gundo as definições das pa­lavras, ouvir é uma capacida­de sensorial do aparelho au­ditivo em que o indivíduo é capaz de captar sons do am­biente, escutar é ouvir com atenção, tornar-se atento pa­ra ouvir, ou seja, escutar é a disponibilidade de prestar atenção ao outro, de estar disponível a escutar e compreender o que o outro está querendo transmitir.

Tarefa fácil hoje em dia? Correria, tarefas mil, trabalho, trânsito, filhos, responsabili­dade, escola, contas, estresse. Já parou para pensar o quanto somos afetados por tudo o que acontece em nossas vidas todos os dias? Será que dá tempo de darmos conta de tudo e ainda sermos capazes de escutar o outro? E a nós mesmos? E quem nos escuta?

Estamos vivendo de modo automático, tudo tem que ser para ontem praticamente na ve­locidade da luz. Tudo tem que ser resolvido, não importa qual seja o problema ou ques­tão, tem que ter um desfecho, e rápido! Ouvir o outro, prestar atenção ao outro, está se tor­nando tarefa das mais difíceis e desafiadoras.

Pode passar o tempo que for na evolução da humanidade, mas as angústias, conflitos, incertezas, medos – enfim, sentimentos e emoções sempre farão parte do processo do desenvolvimento humano e necessitarão da escuta e, muitas vezes, a escuta do amigo, do líder religioso, da colega de trabalho ou do amiguinho da escola não serão suficientes, e certamente você precisará de uma escuta mais especia­lizada que direcione você pa­ra um caminho menos con­flituoso, angustiante e mais clarificador.

Essa é a escuta realizada pelo psicólogo! A escuta é nossa ferramenta mais po­derosa. Com ela, captamos muitas infor­mações e somos capazes de proporcionar, por meio da devolutiva da compreensão dessa escuta, alívio de angústias e do so­frimento diante de doenças, fatores trau­máticos, transtornos, entre outros, estraté­gias de ações e tomadas de decisões ou es­colhas, construção e organização dos pen­samento, compreensão de um determina­do padrão de comportamento, interpreta­ções e reflexões acerca do modo como con­duz sua vida, seu modo de pensar, seus re­lacionamentos etc.

Desse modo, seja qual for a denominação aplicada àquele que escutamos – cliente ou paciente – oferecemos nossa atenção integral para o outro e, portanto, nossa principal ins­trumento de trabalho é a escuta!

Por Andréia Ferraresi Beraldo, psicóloga clínica e social, escritora, professora de língua inglesa e psicopedagoga.
Contatos: andreiafberaldopsicologa@gmail.com, 
(11) 4521-5009, 4521-5347

Edição 247

Agosto 2019

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