Saúde

A fonoaudiologia no tratamento de ronco e apneia

Comentário(s) 27 novembro 2019

ligiaNão é novidade que o ronco in­comoda e é con­siderado um problema social!

O ronco é causado pela vibração dos tecidos da fa­ringe (garganta) quando o ar passa nessa região. Essa vibração é favoreci­da pelo relaxamento natu­ral dessa musculatura du­rante o sono. Algumas ca­racterísticas anatômicas podem predispor ao pro­blema, que tende a piorar com o aumento da idade e do peso (pelo acúmulo de gordura na re­gião, que torna ainda mais difícil a passagem do ar). O ronco passou a ser considerado um problema de saúde, uma vez que os pacientes roncadores procuram tratamento por diver­sos fatores que vão desde os ruídos que in­terferem no sono do companheiro, até aque­les sintomas como sonolência diurna exces­siva, cansaço, fadiga e outros problemas de saúde associados.

O estágio mais avançado do ronco é a sín­drome da apneia obstrutiva do sono (Saos) – doença caracterizada pela parada respira­tória com duração de pelo menos dez segun­dos nos adultos, e dois ou três segundos nas crianças. As estruturas orais (língua e gar­ganta) podem estar comprometidas e aca­bam “grudando” uma na outra durante o so­no e impedindo a passagem do ar. As paradas respiratórias durante o sono podem ocasio­nar problemas cardíacos, pulmonares e com­portamentais, entre outros. A apneia do so­no afeta mais de três em cada dez homens e quase uma em cada cinco mulheres, por isso é mais comum do que você imagina. Estima-se que o ronco esteja presente entre 70% e 95% dos casos.

A síndrome da apneia obstrutiva do sono é diag­nosticada por meio do exame de polissonogra­fia, solicitado pelo médi­co, que avalia o padrão e qualidade do sono por meio de sensores posi­cionados pela superfície do corpo.

O objetivo de qualquer tipo de tratamento da sín­drome da apneia obstruti­va do sono é ampliar o es­paço das vias aéreas supe­riores, evitando que as es­truturas encostem umas nas outras, possibilitando maior passagem de ar e, consequentemente, menos paradas respiratórias.

A partir dos exames médicos realizados e da avaliação fonoaudiológica, o fonoaudiólogo tende a preparar uma série de exercícios pa­ra promover o fortalecimento, coordenação e posicionamento adequado da musculatura que pode estar enfraquecida, flácida e con­tribuindo para o ronco. Esses exercícios são passados e treinados em sessões de acom­panhamento fonoaudiológico e orientados quanto à frequência e quantidade de acordo com a necessidade de cada paciente.

Estudos realizados por pesquisadores bra­sileiros demonstraram que a prática de exercí­cios fonoaudiológicos, sob a orientação de um especialista, é capaz de diminuir a frequência e a intensidade do ronco durante o sono, além de amenizar quadros de apneia leve e mode­rada e evitar a progressão da doença.

Por Lígia Stevaux Nascimento,  fonoaudióloga (CRFa 2 – 19153), formada na Unicamp, com aprimoramento em fonoaudiologia hospitalar e especialização em motricidade orofacial. Contatos: (11) 4521-2942, 2709-4942

Edição 250

Novembro 2019

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