Saúde

Ansiedade x globalização

Comentário(s) 01 dezembro 2018

 

Samira Bana

Samira Bana

A globalização trou­xe inúmeros pro­gressos, sobretu­do nas comunicações. Ho­je você não precisa mais aguardar horas, dias ou semanas, tudo acontece numa velocidade espan­tosa, principalmente para aquelas pessoas de uma ou duas gerações passa­das, e compreender esse grande volume de conhe­cimentos e informações não é nada fácil.

O conhecimento antes da globalização era – po­de-se dizer –, mais detalhado, mais aprofun­dado, com grande riqueza de detalhes, que continuam, mas, devido às demandas serem maiores, quaisquer informações são muito mais objetivas e se atêm às características mais necessárias.

Como tudo na vida tem seu lado positivo e negativo, aqui pretendo discorrer sobre os aspectos psicólogos no que diz respeito à glo­balização e como eles atingem diretamente a população adolescente.

A certeza disso é a recente publicação de artigos no que se refere às afecções psíquicas, na qual a ansiedade vem reinando absoluta como a patologia do sécu­lo 21. A ansiedade é uma resposta psíquica, um si­nal de alerta, um perigo, seja ela de natureza real ou fantasiosa, que invade o ego, instância regulado­ra do psiquismo no conta­to com a realidade.

Todo indivíduo sente ansiedades. Quem não fi­ca ansioso em situações de uma doença familiar ou da própria pessoa, uma en­trevista de emprego, vesti­bular, enfim em inúmeras situações que são poten­cialmente disparadoras de ansiedade?

O problema surge quando esses sintomas vão se instalando ao longo do desenvolvi­mento e culminam numa reação do indiví­duo, muitas vezes se traduzindo em proble­mas de ordem física/orgânica, por exemplo dificuldade em situações de exames ou pro­vas de vestibular, na qual a ansiedade se ma­nifesta de tal forma que o indivíduo é toma­do de um apavoramento, um pânico, e sente um “branco” total que o paralisa de pensar, muitas vezes acompanhado de sintomas fí­sicos como diarreia, sudorese, aceleração do batimento cardíaco etc.

Exemplos de situações provocadoras da an­siedade são inúmeros e a que tem acometido grande parte da população, principalmente os adolescentes, é a excessiva carga de informa­ções e conhecimentos com que estes se de­param nas mídias sociais, jogos online etc, na qual ele se sente na obrigação de “estar por dentro de tudo” e tudo precisa ser “pra JÁ”.

A ansiedade que se manifesta é tão aterro­rizante e invade sua mente de tal forma, que o tempo todo ele precisa estar jogando ou ocu­pado na internet, cada vez mais seu contato social diminui, e o adolescente pode acabar se refugiando em si mesmo.

O jovem, hoje, precisa saber de tudo que se passa com o mundo, até mesmo aquilo que possa estar muito distante dele – é como se ele usasse um sapato 35 para um pé 37 –, e a mente não suporta uma grande gama de in­formações. A criança, mesmo antes de com­preender ou ter uma necessidade, já brinca com um celular e, por sua vez, os pais muito ocupados com inúmeras tarefas, empurram algo com que ela se distraia, pois eles tam­bém têm muitas coisas a fazer.

A humanidade está se esquecendo de que não podemos tocar sete instrumentos de uma só vez.

Por Samira Ap. Bana (CRP 06-8849), psicóloga clínica.
Contato: (11) 97362-5757

Edição 242

Março 2019

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