Saúde

Câncer de mama x diagnóstico precoce

Comentário(s) 09 outubro 2017

O câncer de mama é o tumor mais comum entre as mulheres e representa 25% dos tumores malignos diagnosticados  anualmente no Brasil. A cada hora cerca de seis mulheres recebem este temível diagnóstico. O maior problema é que uma parcela significativa destas mulheres só descobre a doença quando sua progressão já alcançou um estágio avançado.

Esclareço abaixo as principais dúvidas sobre o câncer de mama:

Mulheres mais jovens podem apresentar câncer de mama?

Sim.  Cada vez se diagnostica com mais frequência e maior precocidade. Isto se deve ao maior reconhecimento da existência da doença por meio dos métodos de imagem (ultrassonografia mamária, mamografia, mamografia digital ou mesmo ressonância magnética das mamas), que dão maior precisão na identificação da formação suspeitada.

Qual o momento ideal par a se fazer o autoexame?

  • O autoexame não dispensa a necessidade da mamografia, sempre orientada e solicitada por um especialista após cuidadoso exame clínico das mamas.
  • O momento ideal para a autoavaliação das mamas é  logo após o final de um fluxo menstrual, fase em que os hormônios ovarianos estão em níveis mais baixos. Para as mulheres que não menstruam, seja em função de histerectomia já realizada, as menopausadas ou as que estão sob uso de medicação hormonal para suspender a menstruação, deverão observar qual o momento em que notaram alterações em uma ou em ambas as mamas e repetir o mesmo tipo de controle com 30 dias de intervalo, observando se persistem as alterações.

Como deve ser feito o autoexame?

O autoexame deverá sempre ser orientado pelo médico especialista. Em termos gerais, deverá obedecer a um certo “ritual”:

1. As mamas deverão estar umedecidas ou, melhor ainda, ensaboadas, o que dá uma maior precisão para o reconhecimento de algum eventual “caroço” ou assimetria; Durante o banho fica mais fácil.

2. Elevar o braço do mesmo lado da mama que se pretende examinar, colocando a mão na nuca, com a finalidade de permitir que a mama “se espalhe” sobre o tórax;

3. Com a outra mão, deslizar a palma com suave pressão, desde a base para o centro da mama, em direção ao mamilo, “no sentido dos raios de uma roda”;

4. Com a mesma mão, prosseguir em um “alisamento” da mama, fazendo movimentos circulares, girando em torno da mesma, de fora para dentro até a região da aréola mamária.

O que deve ser observado?

Alterações na forma, mudança de cor, textura e/ou temperatura na pele das mamas, presença de nódulo, superfície com aspecto de “casca de laranja”, diferença no tamanho  das  mamas, surgimentos de sulcos ou depressões em áreas localizadas. A saída de qualquer líquido através dos mamilos, sobretudo de sangue, pode ser um sinal importante de alerta. O reconhecimento de qualquer um ou mais de um destes sinais requer a visita imediata ao especialista.

Todo “caroço” é câncer?

Absolutamente não. Toda alteração visível ou observada pela palpação da mama durante o autoexame deverá ser avaliada com muito critério por um ginecologista ou de preferência por um mastologista, que são os profissionais habilitados à complementação do estudo da alteração existente para o seu diagnóstico preciso.

Pode ser confundido com uma glândula ou inflamação?

Sim. Como o tecido mamário é muito rico em glândulas, não é incomum o surgimento de nódulos isolados ou múltiplos (lesões benignas chamadas adenomas ou fibroadenomas), sobretudo nos dias que precedem as menstruações.  As inflamações (mastites) não são comuns durante a vida. Surgem mais associadas ao período de lactação, em consequência da má higienização dos mamilos, com consequente penetração de bactérias pelos ductos mamários do leite, podendo infectar e causar a formação de abcessos . Pode também ser notado ocasionalmente em consequência de escoriações ou picadas sobre a pele das mamas.

O nódulo mamário maligno é dolorido?

Não. Infelizmente, a doença maligna da mama, sobretudo no seu início, não provoca nenhum alerta de dor. Os sintomas dolorosos normalmente só se fazem presentes quando a doença já está muito avançada. A dor que surge nas mamas (mastodinia) são relativamente comuns desde a adolescência, no período pré-menstrual ou durante a menstruação, momento no qual o tecido glandular mamário fica mais “ativo” e ingurgitado em função das mudanças hormonais do ciclo menstrual.

A liberação de secreção no mamilo é um sinal de alerta?

O aparecimento e a persistência de prurido, feridas, lesões crostosas e secreção (descarga mamilar), especialmente com sangue são importantes sinais de alerta.

Quando fazer a mamografia?

A realização de mamografias deverá seguir o protocolo determinado pelas sociedades médicas da especialidade, tanto em relação à faixa etária quanto de acordo com as alterações encontradas no exame clínico especializado e que requeiram um diagnóstico mais preciso. Diferentemente do que ocorre em países como EUA, Canadá e Escandinávia, onde a incidência do câncer de mama em mulheres de 40 / 45 nos fica na casa dos 10-15%, no Brasil, sua frequência quase dobra (25%) nesta mesma faixa etária, razão pela qual tem sido recomendado o início das avaliações das mamas por imagem  já a partir dos 40 anos de idade.

É fato conhecido que as chances de cura são cada vez mais reduzidas quanto mais se demora para fazer o diagnóstico e o tratamento. Por isso, não aceitar simplesmente a informação que “na mamografia não deu nada grave”. Como todo método ou técnica para o diagnóstico existe a possibilidade de falso-negativo (quando a doença existe, mas não chega a ser reconhecida nas imagens) ou de falso-positivo (quando sugere que a doença maligna existe) conduzindo  a um tratamento radical, traumático  e desnecessário. Assim, mamografias de má qualidade poderão retardar o diagnóstico, com piora do prognóstico ou “reconhecer” a doença que não existe. A chance de redução da mortalidade pelo câncer de mama não depende exclusivamente de “qualquer” mamografia, mas sim das avaliações clínicas periódicas realizadas por ginecologista ou mastologista (semestrais ou anuais) e dos exames realizados em centros de imagem altamente capacitados e, portanto, confiáveis. 

Toda mulher pode fazer o exame ou há algum tipo de impedimento para a realização dele?

Em princípio, não há qualquer restrição da mamografia. Em condições especiais, como gravidez e amamentação, mamografias só deverão ser realizadas em casos mais duvidosos e após a mulher ter sido submetida a um primeiro rastreamento por ultrassonografia de alta resolução com doppler colorido. Nas gestantes, quando estritamente necessário, deverá ser usado o avental de chumbo protetor sobre o seu abdômen.

Qual a idade mais comum para o aparecimento do câncer de mama? A partir de que idade a mulher deve fazer o exame mamográfico?

Quando já existir casos da doença na família, sobretudo mãe, irmã, tia ou avó materna, recomenda-se iniciar o controle anual a partir dos 25 anos. Importante polêmica surgiu no final de 2015, em consequência à decisão da Associação Americana de Câncer (ACS), que passou a recomendar a realização das mamografias a partir dos 45 anos de idade, anualmente, e até os 54 anos, prosseguindo com intervalos de 2 anos, com exceção das mulheres com alto risco para o desenvolvimento da doença.

No Brasil, em função do reconhecimento do elevado número  de  mulheres que morreram  de  doença mamária maligna  na faixa etária entre 40 e 49 anos de idade, as sociedades médicas no nosso país, entre as quais a Sociedade Brasileira de Mastologia, defendem que “a realização de mamografias de rastreamento anuais a partir dos 40 anos de idade deve ser direito de toda mulher”.

O diagnóstico precoce e o tratamento criterioso da doença têm sido fundamentais para a sobrevivência de quase dois terços das mulheres com câncer de mama, nos países desenvolvidos. Já a  taxa de sobrevida nos países em desenvolvimento não chega a um terço.

Com qual periodicidade deve ser realizada a mamografia?

 

No Brasil, recomenda-se a realização da mamografia anualmente, e sem limite máximo de idade.

 

Por dr. Claudio Basbaum, médico, com especialização na Universidade de Paris, França

 

 

Edição 224

Setembro 2017

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