Saúde

Câncer de mama: o que você precisa saber

Comentário(s) 09 outubro 2019

De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), são diagnosticados no Brasil cerca de 60 mil novos casos de câncer de mama por ano e aproximadamente 12 mil mulheres morrem em decorrência dessa doença. Motivado pelas altas taxas de incidência, que não param de crescer desde a segunda metade do século XX, o mês de outubro foi escolhido para serem realizadas atividades educativas e de prevenção para o câncer de mama, o chamado Outubro Rosa.

De acordo com Alfredo Barros, mastologista da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, a redução do número de filhos, a primeira gestação tardia e os curtos períodos de amamentação tornaram a mulher exposta a um maior número de ciclos menstruais e, consequentemente, a intenso e repetido estímulo hormonal estrogênico. “Esse estímulo promove a multiplicação de células mamárias, geneticamente modificadas, na direção do câncer. Além disso, a ausência de gestação implica que o tecido mamário deixe de receber proteção de certos hormônios da placenta como a gonadotrofina coriônica, que tornam as células da mama refratárias à lesão do DNA cromossomal, evento inicial do determinismo do câncer”, conta o médico.

Confira abaixo cinco fatos importantes relacionados à doença ressaltados pelo especialista:

Tendências: a obesidade, o sedentarismo, dieta gordurosa, ingestão alcoólica em excesso e a reposição hormonal prolongada na menopausa são condições que elevam o risco da incidência de câncer. “Pode-se diminuir a chance de formação do câncer de mama evitando estes fatores e aumentando a ingestão de verduras e frutas. Os vegetais contêm substâncias flavonoides, que dificultam a ligação dos estrogênios com proteínas receptoras no tecido mamário. Também é muito provável que agrotóxicos, pesticidas, poluentes orgânicos de diversos tipos e anabolizantes nos alimentos contribuam para a lesão no DNA e a proliferação celular”, afirma o mastologista.

A mamografia pode salvar vidas: para o diagnóstico na fase pré-clínica a mamografia é fundamental. Ela permite o reconhecimento de tumores a partir de 1 milímetro, muitos anos antes dele se tornar perceptível ao toque, por meio da identificação de sinais de suspeição, como microcalcificações ou pequenos nódulos. “Quanto mais precoce for o diagnóstico, maior será a chance de cura, menor a extensão da cirurgia e mais simples o tratamento complementar. Desde a primeira divisão celular anômala até um nódulo chegar a ser palpável com 1 centímetro, existe um intervalo aproximado de 10 anos. Se o tumor for descoberto nesse período, as possibilidades de cura oscilam ao redor de 95%”, ressalta o médico. A mamografia é indicada anualmente a partir dos 40 anos de idade, de acordo com a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) e pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo).

Quem tem caso de câncer na família, deve redobrar o cuidado: nas pacientes de alto risco familiar, a rotina do exame de mamografia precisa ser iniciada mais cedo, também com ultrassonografia e a ressonância magnética. “Geralmente solicita-se a mamografia nas pacientes de alto risco depois da idade correspondente a 10 anos antes quando foi diagnóstico o câncer na mãe ou nas irmãs, por exemplo”, conta o médico.

O autoexame não deixa de ser tão importante quanto a mamografia: o exame físico das mamas realizado pelo especialista permite o diagnóstico precoce de tumores a partir de 1 centímetro de diâmetro. “Já o autoexame das mamas, realizado pela própria paciente, todos os meses na semana após a menstruação, identifica nódulos geralmente maiores que 2 centímetros de diâmetro e deve ser ensinado e praticado especialmente para quem não tem acesso à mamografia. Tem a virtude de estimular a atenção com o próprio corpo e o autocuidado”, afirma Alfredo.

Não tenha medo: o receio das doenças, quando enfrentado com racionalidade, pode levar à uma atitude pragmática sadia e à adoção de medidas preventivas úteis. Ainda existe muita falta de informação. “Quando a mamografia é repetida anualmente o medo do câncer vai diminuindo porque a mulher sabe que depois de um exame normal qualquer anormalidade que surgir no próximo ano deverá ser muito inicial e, portanto, curável”, conta o mastologista.

A mama é órgão muito especial para a mulher. Mais do que fonte de nutrição para recém-nascidos, desempenha papel essencial para a autoestima e autoimagem. “Por isso, é possível uma mudança de hábitos para redução de risco e é muito importante o diagnóstico precoce para um tratamento altamente eficiente e geralmente não mutilante. Os próximos outubros serão certamente mais cor-de-rosa se recomendações simples como as aqui mencionadas forem seguidas por mais e mais mulheres”, finaliza o médico.

Edição 250

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