Saúde

Dengue x gripe

Comentário(s) 23 julho 2019

Em muitas regiões do Brasil, as emergências dos hospitais estão lotadas de pessoas com suspeita de dengue. De acordo com o mais recente boletim epidemiológico divulgado pelo Ministério da Saúde, de janeiro a 1º de junho deste ano foram registrados mais de 1 milhão de casos suspeitos de dengue – aproximadamente 500% a mais que o mesmo período de 2018. E diante desse número alarmante, a dificuldade que surge para os médicos plantonistas e outros profissionais de saúde encarregados de atender esses pacientes é fazer o diagnóstico corretamente. Por conta dos sintomas semelhantes, a pessoa com suspeita de dengue pode estar com outras doenças, como zika, chykungunya e até mesmo com gripe.

Para entender a importância de falar do assunto, um estudo conduzido em El Salvador, publicado na revista científica PLOS em 2016*, mostrou que de 121 pacientes hospitalizados com suspeita de dengue, 28% eram positivos para dengue e 19% positivos para influenza, o vírus causador da gripe. Além disso, entre os 35 com suspeita de dengue que apresentavam sintomas respiratórios, 14% eram positivos para dengue e 39% positivos para influenza.

Segundo esse estudo, em regiões tropicais, como El Salvador, e Brasil, os surtos de gripe e dengue podem coincidir. Então, as semelhanças de apresentação clínica dos pacientes infectados com a gripe ou com dengue podem fazer com que o diagnóstico diferencial seja muito mais difícil. “Com um aumento tão acentuado dos casos de dengue e a chegada do período mais frio, o diagnóstico pode ser ainda mais complicado”, explica Kelem Chagas, gerente médica da Sanofi Pasteur.

O Brasil é um país de dimensões continentais, onde a influenza começa a circular nos primeiros meses do ano nas regiões Norte e Nordeste, chegando mais tardiamente, ao Centro-Oeste, Sudeste e Sul. “Embora a influenza seja uma doença com alta sazonalidade no Sul e Sudeste, ela pode ocorrer durante todo o ano. Em alguns casos, as pessoas infectadas não apresentam as manifestações da síndrome gripal, e o mesmo ocorre com a dengue: a doença também pode se manifestar apenas com febre. Por isso, é fundamental procurar o serviço de saúde para obter o diagnóstico correto”, ressalta.

Prevenção é a melhor alternativa

Buscar maneiras adequadas de se prevenir contra essas doenças é a melhor forma de evitá-las. Além dos cuidados básicos como lavar as mãos, utilizar álcool em gel, usar repelente e evitar o acúmulo de água parada, também existem vacinas disponíveis que protegem contra a gripe e contra a dengue. No Brasil, a vacina da gripe está disponível no SUS pelo Programa Nacional de Imunizações, bem como nas clínicas privadas. Já a vacina da dengue está disponível em municípios onde a doença é endêmica e em clínicas particulares de todo o País. Diferente das demais vacinas, esta é indicada para pacientes previamente expostos ao vírus (existem 4 tipos), para que seja evitada a segunda infecção pelo vírus da dengue que tende a ser mais grave.

Entenda mais sobre cada doença

Gripe 

Transmissão - A gripe é uma doença respiratória viral aguda transmitida de pessoa para pessoa. A transmissão também ocorre através do contato das mãos ou objetos contaminados por secreções respiratórias de pessoas infectadas.

Sintomas -  Febre alta, tosse, congestão nasal, fadiga, dor de garganta, de cabeça e musculares são provocadas pelo vírus Influenza.

Tratamento à Como a gripe é uma doença viral, o tratamento deve focar o controle dos sintomas, como congestão nasal, febre e dor no corpo e na cabeça, até que o ciclo do vírus se complete ou o organismo consiga combate-lo. Em casos mais graves, pode ser necessário a prescrição de medicamentos antivirais, logo o médico deve ser consultado.

Prevenção -  A gripe é uma doença prevenível tanto por hábitos de higiene, como lavar as mãos com frequência e utilizar álcool em gel, como também por vacinação. Na rede pública, a vacina trivalente (com duas cepas do vírus influenza A e uma B) é fornecida gratuitamente nas unidades básicas de saúde para os grupos de risco definidos pelo Ministério da Saúde, durante as campanhas de vacinação. Já nas clínicas de vacinação particulares estão disponíveis vacinas quadrivalentes, contendo duas cepas do vírus influenza A e duas cepas do vírus B, capazes de oferecer um espectro de proteção mais amplo. As vacinas disponíveis possuem variações em relações a indicações e contraindicações, o profissional da saúde deve avaliar qual a melhor opção ao paciente.

Dengue 

Transmissão - A dengue possui quatro sorotipos (DENV 1, 2, 3 e 4), todos com circulação no Brasil. A doença é transmitida pela picada do mosquito Aedes aegypti.

Sintomas - Febre alta com duração de 2 a 7 dias, náusea, dor no corpo e dor de cabeça, vômito, diarreia, sangramentos, erupção e coceira na pele.

Tratamento -  Não existe tratamento específico contra o vírus da dengue, apenas para alívio dos sintomas. Recomenda-se que o paciente fique de repouso e tome bastante água. No entanto, há vários medicamentos que são contraindicados em caso de suspeita de dengue.

Prevenção - É fundamental que a população esteja atenta a todas as formas de combate ao mosquito Aedes Aegypti, transmissor da dengue. É importante evitar criadouros não deixando água parada em vasos de plantas, por exemplo. A prevenção também pode ocorrer por meio de vacinação, sendo o profissional da saúde responsável em avaliar se o paciente é elegível à vacina, que serve para aqueles que já foram infectadas pelos vírus da dengue anteriormente. Estudos robustos conduzidos por mais de 20 anos e envolvendo cerca de 40 mil pessoas demonstraram que a vacina reduz relevantemente as internações e os casos de dengue grave, permitindo evitar em cada 4 casos de dengue.

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Novembro 2019

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