Saúde

Como funciona a psicoterapia individual?

Comentário(s) 18 agosto 2016

A terapia indivi­dual caracteri­za-se por uma relação exclusivamen­te dual entre paciente e psicólogo (terapeuta), em sessões que qua­se sempre têm 50 mi­nutos de duração, pa­ra discutir, analisar e decidir sobre proble­mas, acontecimentos, lembranças e projetos apresentados pelo pa­ciente ao terapeuta.

A duração da terapia é indefinida e impre­cisa, dependendo da problemática trazida pelo paciente, da an­tiguidade dos problemas (as queixas do pa­ciente, de dificuldades a sintomas), da linha de trabalho do terapeuta, dos acontecimen­tos que se dão na vida do paciente simulta­neamente à terapia, e da velocidade com que aparecem os resultados do trabalho conjun­to do paciente com o terapeuta.

Por meio da multiplicidade de problemas e situações discutidos em terapia, superam-se as limitações de uma relação “de dois”: ao discutir e trabalhar com o terapeuta variadas e infinitas situações reais objetivas ou subje­tivas de sua vida presente e passada, bem co­mo do futuro desejado e temido, o paciente termina por reviver relações com as mais di­ferentes pessoas e mesmo situações que en­volvam vivência em grupo social.

O princípio básico operativo da terapia é que o paciente, ao trabalhar os seus proble­mas em sessão, reviverá os conflitos não re­solvidos que já teve em vida. Como isso se dá em clima de compreensão e estima, com o terapeuta dando-se todo na relação e o pa­ciente vivenciando as vantagens de enfren­tar passo a passo as suas reais característi­cas e os seus verdadei­ros problemas, pouco a pouco o paciente inicia a transposição dessa atitude, vivenciada na relação terapêutica, para os acontecimen­tos e relações de sua vida diária.

Sua abertura em ses­são começa a se refle­tir em abertura no dia a dia, seu ganho em confiança transforma-se em afirmação nas situações extra tera­pia e a discussão fran­ca, com o terapeuta, de suas limitações e potenciais instrumenta-o para trabalhar melhor com elas nas situa­ções em que se envolve ou é envolvido fo­ra da terapia.

A relação terapêutica implica um sigilo ab­soluto por parte do terapeuta, fundamental à terapia, o que torna o clima facilitador pa­ra o paciente, que sente diminuída a sua ver­gonha e o seu medo de trazer à terapia o que mais o tem incomodado.

O momento de alta se define quando o pa­ciente, por si só, sente ter resolvido os pro­blemas que motivaram suas queixas iniciais. Isso não quer dizer, entretanto, que o pacien­te não possa, a qualquer momento, reiniciar o processo terapêutico, à medida que surjam novas necessidades ou eventos motivadores em sua vida. Entretanto, essa decisão sem­pre será do paciente, frente ao que já obteve em terapia e frente ao que acredita ou sente que poderá vir a obter ainda.

Artigo de Marco Túlio Silva de Oliveira, psicanalista e psicólogo (CRP 06/113235).
Contatos: 11-97044-0111, tuliopsicanalista@hotmail.com, www.tuliopsicanalista.com.br

Edição 224

Setembro 2017

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