Saúde

Como prevenir a infecção urinária recorrente

Comentário(s) 11 janeiro 2019

incontinencia

Chamada de cistite de repetição, a infecção urinária baixa recorrente é comum em qualquer época do ano, porém com uma incidência maior no verão, já que é normal que as pessoas passem mais tempo com a roupa de banho úmida ao corpo quando estão na praia ou na piscina. Estimativas mostram que, pelo menos metade das mulheres, pode apresentar pelo menos um episódio de infecção urinária durante a vida. Portanto, umas das recomendações da Sociedade Brasileira de Urologia – SBU é que se faça a higiene local da forma correta para reduzir a contaminação.

Embora pareça inofensiva, essa prática pode ocasionar dermatites na região da genitália, sendo facilitadoras para o surgimento e proliferação de germes na via urinária. Pode acometer a bexiga (cistite), a ureta (uretrite) e rins (pielonefrite). Os sintomas da infecção urinária, denominada baixa, são desconforto, dor para urinar, necessidade de ir mais vezes ao banheiro e sensação de esvaziamento incompleto da bexiga.

“Quando ocorre no homem, é preciso investigar para saber se existe o comprometimento da próstata. Se a infecção atingir os rins, os sintomas são os mesmos, porém, a pessoa terá também febre e comprometimento do estado em geral”, explica dr. Flavio Trigo, presidente da Sociedade Brasileira de Urologia de São Paulo, urologista, especialista em Incontinência Urinária do Hospital Sírio-Libanês e Hospital Oswaldo Cruz, em São Paulo.

Na mulher, as chances de contrair a bactéria são maiores, já que a uretra é curta, medindo em torno de quatro centímetros. Problemas como diabetes, alterações no PH vaginal por conta da gravidez e complicações ginecológicas, como corrimento e a vulvovaginite – inflamação da vulva e da vagina, contribuem para a colonização do germe na bexiga.

Uma dica importante é evitar roupas íntimas desenvolvidas com material sintético, pois podem ajudar na proliferação de bactérias, e reduzem a ventilação na região. Já optar por tecidos de algodão é uma boa escolha por manter o local mais seco. A máxima de beber pelo menos dois litros de água por dia é fundamental para estimular a produção de urina. A recomendação de não segurar o “xixi” por muito tempo continua valendo.

Na menina

As vulvovaginites podem ser uma das causas para o aparecimento da infecção urinária na criança. “É importante fazer um exame clínico e, como prevenção, avaliar a vagina da menina. Os pais devem educar a filha, desde cedo, a ter hábitos de higiene e orientá-la sobre a forma correta de urinar, nunca em pé. Um problema muito comum é a forma inadequada de se limpar após a defecação, permitindo que as fezes tenham contato direto com o períneo e a vagina, contaminando a área e facilitando a infecção urinária baixa”, diz o especialista.

No menino

No nascimento, temos a fimose fisiológica, que até pode permanecer até os quatro anos. A patologia é caracterizada por dificuldade de expor a glande após a retração da pele que a recobre. Desta forma, pode acontecer uma balanopostite, que é uma inflamação desta região do pênis da criança, facilitando o aparecimento da infecção urinária.

Se não tratada, a infecção urinária baixa, a cistite, pode evoluir para a pielonefrite, que leva a complicações e cicatrizes do rim, podendo alterar a função renal. A recomendação é que se procure um urologista para investigar a doença e realizar o melhor tratamento. “O que se sabe é que algumas vacinas específicas para combater a bactéria escherichia coli são efetivas”, finaliza o médico.

A SBU-SP

A Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) é uma entidade médica, com 90 anos de fundação, que congrega mais de 4.500 mil médicos associados em todo o País, sendo 30% relativos ao Estado de São Paulo. Sem fins lucrativos, representa os profissionais da especialidade de Urologia clínica e cirúrgica, responsável pelo diagnóstico e pelo tratamento das enfermidades do sistema urinário, de ambos os sexos, e do sistema genital masculino. Realiza desde 2004 campanhas anuais de conscientização do câncer de próstata para aumentar a sobrevida de pacientes acometidos pela doença.

Edição 243

Abril 2019

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