Saúde

Dia do Idoso chama atenção para a saúde ocular

Comentário(s) 30 setembro 2016

Estima-se que no Brasil os idosos somem mais de 26 milhões de pessoas, ou seja, em torno de 13% dos brasileiros. Para colocar em evidência e conscientizar sobre a situação dessa fatia da população na sociedade, em 1º de outubro é comemorado o Dia do Idoso, data criada para refletir e debater questões relacionadas ao convívio familiar, ao abandono, à aposentadoria e, principalmente, à saúde dos mais velhos.

A saúde ocular, por exemplo, é um dos principais pontos de atenção, e visitas periódicas ao oftalmologista podem assegurar uma melhor qualidade de vida. Isso se deve ao fato de que à medida que envelhecemos o cuidado com os olhos devem ser redobrados, pois a visão pode ser acometida por doenças que levam à cegueira. DMRI – degeneração macular relacionada à idade, retinopatia diabética e catarata são algumas delas.

DMRI – degeneração macular relacionada à idade

Atingindo normalmente pessoas acima de 55 anos, a DMRI acomete a retina, parte posterior do olho, levando ao processo degenerativo da mácula, região responsável pela visão central, onde são definidas as formas, cores e rostos, e por 90% da informação visual para o cérebro.

“No início, o paciente percebe a diminuição do contraste, tendo a impressão de estar faltando luz, e tem dificuldade para ler e escrever. Com a evolução da doença, as imagens tornam-se embaçadas e amareladas, e as linhas retas, como as das portas, por exemplo, ficam deformadas. Por fim, uma mancha vai se formando na visão central”, comenta a dra. Vânia Ewert, especialista em retina do Hospital de Olhos Paulista.

Com a possibilidade de atingir um ou ambos os olhos, a DMRI pode apresentar-se de duas formas: seca/atrófica e úmida/exsudativa.  A primeira é mais comum, e leva à baixa da visão, de forma lenta e gradativa, devido à degeneração das camadas da mácula. Já a segunda, é mais rápida e agressiva, com vasos anormais e lesivos se formando sob a mácula, podendo causar hemorragia e, consequentemente, o comprometimento da visão.

A suspeita diagnóstica pode ser feita pelo próprio paciente, por meio da tela de Amsler (tela quadriculada e com um ponto central utilizada para verificar se há deformidade das linhas). Em seguida, confirmando a alteração, a pessoa deve procurar um oftalmologista que poderá solicitar um exame de angiofluoresceinografia – aplicação de corante endovenoso para avaliar a circulação. Outro método é o exame OCT (tomografia de coerência óptica), que vai avaliar as camadas da retina, detectando atrofia, hemorragia ou vasos anômalos, para orientação terapêutica.

Para a manifestação seca/atrófica é necessário acompanhamento e uso de medicamentos orais antioxidantes, compostos por vitaminas e minerais a fim de evitar a progressão da doença. Na forma úmida/exsudativa, o oftalmologista realiza a aplicação de medicação intraocular para tratar os vasos anômalos.

“É importante ressaltar que o tratamento não visa a recuperação da visão, mas sim evitar a progressão da doença. Entretanto, a DMRI afeta apenas a parte central do campo visual, não acometendo o periférico, o que impede a perda total da visão”, diz a médica.

Retinopatia diabética

A retinopatia diabética é caracterizada pela manifestação do diabetes nos vasos sanguíneos da retina e está incluída entre as grandes causas de cegueira no mundo. Seu principal sintoma é a baixa visão, por alteração dos vasos retinianos e formação de vasos anômalos, que sangram com facilidade dentro do olho. Porém, alguns pacientes só notam alterações quando a doença já atingiu a mácula, responsável pela visão central.

“Exames de retina, como mapeamento, devem ser realizados regularmente por pacientes diabéticos e visam detectar precocemente a doença. O tratamento deve começar de imediato para evitar a progressão, e consiste em fotocoagulação a laser, procedimento padrão para selar os vasos sanguíneos da retina”, comenta a dra. Vânia.

Um ponto de destaque é a importância do controle glicêmico para retardar o aparecimento do problema ou diminuir sua gravidade. Além disso, pessoas diabéticas são mais propensas a ter hipertensão arterial e, por isso, devem manter a pressão controlada para não agravar a retinopatia diabética.

Catarata

A catarata é a opacificação do cristalino (lente natural do olho), que resulta em uma diminuição progressiva da visão. Na maioria das vezes, a doença decorre do processo de envelhecimento, afetando principalmente pessoas com mais de 50 anos.

“O paciente com catarata normalmente percebe diminuição da qualidade da visão e mudanças na percepção das cores, podendo atingir primeiro um olho e só depois o outro. Entre os principais sintomas, podemos observar embaçamento da visão, ofuscamento pela luz do sol e farol de carro, e dificuldade de enxergar, aumentando com pouco ou com excesso de luz”, diz o dr. Eduardo Parente Barbosa, oftalmologista do H.Olhos.

Após a detecção realizada na consulta com um oftalmologista, o único tratamento para a catarata é a cirurgia. Não existem colírios ou óculos capazes de solucioná-la.

“A boa notícia é que a perda da visão é reversível”, diz o especialista. “O procedimento pode ser realizado de duas maneiras – por meio da técnica de Facoemulsificação, que consiste na substituição do cristalino opacificado por uma pequena lente intraocular; ou pelo Laser Femtosegundo, que elimina a utilização de bisturis. O equipamento possui configuração personalizada e realiza as incisões necessárias e também a fragmentação da parte interna do cristalino, que é retirado e substituído por uma lente.”
 

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