Saúde

Do bebê ao adulto: a importância do início

Comentário(s) 30 setembro 2019

 

Poderíamos iniciar este texto refletin­do sobre os aspectos de cuidados ne­cessários para o desenvolvimento de uma criança. O leite que amamenta, as mãos que cuidam, o colo que aconchega e todo ma­nejo dirigido ao bebê são, entretanto, partes que constituem o adulto ao qual nos referi­mos neste texto. As possibilidades para es­tabelecer relacionamentos interpessoais e íntimos, a cria­tividade dian­te do trabalho e dos desafios da vida, o modo como se pensa, sente e enfren­ta são aspectos da vida adulta que se susten­tam nas experi­ências mais pri­mitivas do bebê com suas figu­ras parentais e nos acontecimentos que de­senham a infância de cada pessoa.

As lembranças que permeiam os primei­ros anos de vida não alcançam a totalidade das experiências que, de forma inconscien­te, se presentificam no cotidiano das relações e das reações. Basta recordar as escolhas e atitudes, muitas vezes, impulsivas ou incom­preendidas que atropelam a consciência, os desejos incontroláveis e, com eles as com­pulsões, ansiedades, temores e paixões, os sentimentos que parecem emanar de fontes desconhecidas ou desproporcionais de rai­va, tristeza, prazer ou dor.

A dimensão do tempo não pode ser descon­siderada ao pensar o desenvolvimento de uma pessoa. Cada fase, desde a concepção, os pri­meiros meses, os primeiros anos, as interações e acontecimentos que se sucedem na vida fa­miliar, na escola e em cada espaço não se en­cerram em suas fases, mas compõem a história e as memórias que movimentam o ser.

Sustentar a si mesmo, dar passos e avan­çar não são apenas metáforas do mundo in­fantil, mas desa­fios que se apre­sentam ao longo da vida e convo­cam a olhar e a pensar sobre a própria histó­ria, a qual, co­mo dito, não se encerra em su­as fases, mas se presentifica nas situações do dia a dia como pos­sibilidade para repetir o passado ou trans­formá-lo a partir da linguagem que recor­da, conta, reconta e elabora a própria histó­ria. Linguagem que se dá pela fala (verbal ou gestual) e pelo afeto. Ambas são possibilita­das pelo encontro terapêutico – um encon­tro para quem se dispõe a falar e tocar nos primórdios de si mesmo.

Por Bruna A. da Silva, psicóloga (CRP: 06/123261), mestre em psicologia clínica pelo Instituto de Psicologia da USP e atende em consultório particular. Contatos: (11) 96474-6386, e-mail: brunandsilva@gmail.com, facebook: Desenvolver – Clínica de Psicologia

Edição 250

Novembro 2019

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