Saúde

Enxaqueca pode comprometer a atenção e memória

Comentário(s) 16 maio 2015

Pessoas que sofrem com a enxaque­ca podem ter a atenção e memória auditiva comprometidas. Uma pes­quisa realizada pelo Setor de Investigação e Tratamento das Cefaleias (SITC) e pelo Am­bulatório de Neuroaudiologia da Universi­dade Federal de São Paulo (Unifesp) obser­vou maior prevalência de alteração no pro­cessamento das informações auditivas nos pacientes com enxaqueca.

A doença atinge 15,2% de pessoas no Bra­sil e é mais frequente em mulheres e em in­divíduos com ensino superior. Com o estu­do, foi possível verificar o impacto da enxa­queca no indivíduo que não faz nenhum ti­po de tratamento preventivo, apenas se uti­liza de analgésicos nas crises. As evidências levantadas são de que esses pacientes po­dem apresentar déficits cognitivos, sendo a memória e atenção para as informações au­ditivas, afetadas.

Larissa Mendonça Agessi, fonoaudiólo­ga e autora da pesquisa, selecionou 41 pa­cientes voluntários, entre 18 e 40 anos, de ambos os sexos, e os dividiu em três gru­pos: 1o) 11 pessoas com enxaqueca com aura – crises de cefaleia acompanhadas de sintomas visuais e sensitivos como flashes luminosos, embaçamento visual, formiga­mentos, dificuldade em falar, tonturas, en­

tre outros indícios que podem aparecer an­tes, durante e após a crise, e duram de mi­nutos até uma hora, usualmente; 2o) 15 pes­soas com enxaqueca sem aura; 3o) 15 pes­soas no grupo controle, que negavam cefa­leia no último ano ou nunca tiveram. Tam­bém foi considerada a escolaridade de ca­da um. As pessoas com quadro de enxaque­ca apresentavam, em média, de 5 a 6 dias de crise no mês, e foram avaliadas sem es­tar com dor de cabeça, há no mínimo três dias, ou seja, fora do período de uma crise de enxaqueca.

Das 26 pessoas com enxaqueca analisadas, 21 apresentaram problemas com o proces­samento auditivo. “Concluímos que pesso­as com enxaqueca têm audição normal, mas podem apresentar maior dificuldade para prestar atenção e memorizar o que foi ou­vido, do que as pessoas que não têm dor de cabeça. Se você sente muita dor de cabeça e, além disso, pede sempre para as pessoas repetirem o que elas falam, ou esquece fre­quentemente o que lhe foi dito, recomendo que busque um neurologista e um fonoaudi­ólogo”, ressalta Larissa.

Os pacientes que participaram do estudo tiveram a oportunidade de iniciar o trata­mento no SITC e no Ambulatório de Neuro­audiologia da universidade.

Edição 225

Outubro 2017

Confira as edições anteriores

© Jornal Mexa-se 2013 todos os direitos reservados.

io! Comunica