Saúde

Felicidade e a dependência de ser independente

Comentário(s) 29 maio 2018

vanessa sardiscoEstar com os pais e com a mesma roti­na após certa ida­de, muitas vezes não é acei­to pela sociedade, que acre­dita que essa pessoa não é feliz. Talvez isso aconteça, pois confundem dependên­cia e independência. Afinal, qual é a diferença?

Quando se fala de inde­pendência, logo as pessoas associam felicidade com es­tar livre e, assim, estar com muitas pessoas. Quando se fala de dependência, as pes­soas já associam infelicidade com a certeza que a pessoa não é livre o suficiente.

Nesse sentido, percebe-se um aumento de pessoas que se importam mais em querer ser iguais às outras, valorizando mais as compara­ções do que suas próprias individualidades.

Com isso, essas associações podem ser uma dependência desses paradigmas. Isto é, quando a pessoa tem essa grande preo­cupação em ser livre para ser aceito, ela po­de ser mais dependente das outras. Por sua vez, a pessoa que socialmente é considera­da dependente, pode ser mais independen­te por ter suas próprias escolhas, valores e critérios de liberdade e amizades.

Por isso, cabe a cada pessoa se conscien­tizar em aceitar o outro com mais tolerân­cia, sensibilidade, empatia e companheirismo, apren­dendo a compreender as necessidades e os questio­namentos de cada um. Is­to é, ninguém sabe o que o outro passa com as suas ex­periências e, por isso, não é válido julgar a pessoa sem antes ouvi-la.

Então, dependência e independência são assun­tos polêmicos e reflexivos, pois ser independente po­de ser dependente, confor­me a maneira que a pessoa lida com a situação envolvida. O importante é formarmos e educarmos pessoas reflexivas e independentes de suas escolhas, prazeres e atitudes, lembrando sempre das responsa­bilidades e dos compromissos como pais, fi­lhos e educadores.

Enfim, a famosa frase “É impossível ser fe­liz sozinho” mostra que ser feliz é estar com os outros. Mas será que para a pessoa es­tar com outra, sem ter suas próprias indivi­dualidades, não é a mesma situação de es­tar sozinha?

Por Vanessa Sardisco, psicóloga, especialista em educação inclusiva com fluência em Libras. Contatos: psicologa@vanessasardisco.com.br,
11-98200-9577

Edição 236

Setembro 2018

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