Saúde

Felicidade, o que é isso?

Comentário(s) 11 junho 2016

marco tulioFelicidade, pouco ou nada, tem a ver com o significado fre­quentemente aceito em nossa cultura e sociedade. A cultura ocidental costu­ma emprestar à felicidade o caráter de casualidade ou acontecimento fortui­to, praticamente condicio­nando-a a determinados momentos ou aconteci­mentos de extrema inten­sidade emocional e obrigando-a a se mani­festar sempre com risos ou alegria ruidosa.

Em outras palavras, parece que a nossa cultura só acredita em felicidade se o sujei­to estiver rindo, fizer uma festa ou estiver co­memorando determinado acontecimento.

Como resultado, todos acabamos acredi­tando que a felicidade é como se fosse um es­tado passageiro, pois não passa pela cabeça de ninguém a ideia de se pôr a rir o tempo in­teiro, de se sentir extasiado a todo momento, de estar vivendo a toda hora acontecimentos tais que devam ser festejados.

Nós, psicólogos, ao contrário, acreditamos que a felicidade é um estado ótimo de equilí­brio entre as necessidades psicoemocionais e orgânicas do sujeito e as possibilidades de satisfação que o meio ambiente oferece. E a prática clínica indica que estamos certos. As­sim, a felicidade nunca é um “presente dos deuses”, oferecido em certas circunstâncias especiais, mas sempre um estado de equilí­brio dinâmico entre o organismo e o meio ambiente que o circunda e abriga. Um estado, por­tanto, possível a todo mo­mento.

Lógico, que se acha im­plícita neste conceito a ideia de um meio ambiente que ofereça recursos sufi­cientes de satisfação ao su­jeito, respondendo sempre a necessidades não hipera­tivadas ou anormalmente distorcidas.

Felicidade, enfim, é sentir-se calmo, não ameaçado, livre de tensões e disposto a con­viver cooperativamente com o meio ambien­te externo, com o outro e consigo mesmo.

E infelicidade, por consequência, é qual­quer estado no qual isso seja impossível. Esse estado provoca no ser humano, assim como em todo animal, um sentimento invariável de incômodo. Variável de acordo com o tipo de manifestação e sua intensidade.

Essas manifestações de incômodo, se tor­nadas crônicas por estados prolongados de tensão, geram distúrbio, e esses distúrbios, por assim dizer, ocorrem em quatro áreas da atividade humana. Provocando, por consequ­ência, quatro tipos básicos de problemas, to­dos de base emocional: orgânicos, afetivos, intelectuais e interpessoais.

Artigo do psicanalista e psicólogo Marco Túlio Silva de Oliveira (CRP 06/113235). Contatos: 11- 97044-0111, tuliopsicanalista@hotmail.com, www.tuliopsicanalista.com.br

Edição 224

Setembro 2017

Confira as edições anteriores

© Jornal Mexa-se 2013 todos os direitos reservados.

io! Comunica