Saúde

Gestação e seus aspectos emocionais

Comentário(s) 02 junho 2016

Desde a puberdade, as mulheres são inundadas por hormônios, que são responsáveis pelas mudanças bioló­gicas, como o início da menstruação, aumen­to das mamas e toda a preparação do corpo para a reprodução. Entretanto, a cada ciclo menstrual, as oscilações de hormônios afe­tam o humor da mulher podendo causar ir­ritabilidade, ansiedade, insônia, humor de­pressivo, alterações de concentração, entre outros. Ao fim deste processo, os sintomas tendem a desaparecer.

Porém, quan­do se inicia uma gravidez, outras questões, além das hormonais, afetam os as­pectos psicoló­gicos da mulher – demandas co­mo se a gravi­dez foi planeja­da ou não, como implicará um filho na vida dessa mulher, ambivalências de sentimen­tos e aspectos sociais, como se ela tem um companheiro, familiares que apoiam a gesta­ção ou não, e se ela se encontra sozinha nes­sa nova situação.

No primeiro trimestre, além de medos re­ferentes a abortos espontâneos, há a adapta­ção à ideia da maternidade, e muitas vezes, elas aguentam os desconfortos iniciais da gestação sem deixar sua rotina de emprego, o que sobrecarrega sua saúde psicológica.

No segundo trimestre o corpo começa a mudar. O fato de sentir o feto concretiza a ideia de que uma nova vida é gerada. É a fase mais tranquila da gestação, já não há ameaça do aborto e a mulher pode se pre­parar psicologicamente com o fato de que será mãe de uma nova vida. Descobrir o se­xo do bebê ocorre nessa fase, possibilitan­do a escolha do nome e imaginar como se­rá quando nascer, tentar imaginar seus as­pectos físicos, sua personalidade e assim ge­rar também uma nova personalidade jun­to com o feto.

Nos últimos três meses as alterações físi­cas atrapalham a gestante, causando dores, desconfortos e inchaços. Junto com eles apa­recem também os medos e dú­vidas do parto, medo de sen­tir dor, medo da morte e se tudo sairá bem ou se terá algu­ma intercorrência. Desse modo, a ansieda­de é muito comum nesta fase, mas há preo­cupações que são presentes em toda a ges­tação, como se o bebê está se desenvolven­do de acordo com a idade gestacional, se a mulher será uma boa mãe, se ela consegui­rá se adaptar às novas mudanças. Há incer­tezas e conflitos, pois uma nova vida, frágil e delicada, depende totalmente daquela que o gerou. É uma nova e grande responsabili­dade que assusta, mas à qual somos capazes de nos adaptar.

Artigo da psicóloga clínica Cintia Tonetti  (CRP 06/97847).
Contato: tel. 11-4586-7545

Edição 224

Setembro 2017

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