Saúde

Hipercolesterolemia familiar: 13 vezes mais chances de ter doença cardiovascular

Comentário(s) 23 setembro 2019

Mais de 790 mil brasileiros são portadores de hipercolesterolemia familiar (HF), mas apenas 3.500 deles sabem que têm essa doença genética, que precisa ser tratada com urgência. Os mais jovens são vítimas fatais da falta de conhecimento sobre a HF, alerta o cardiologista Raul dos Santos Filho, diretor da Unidade Clínica de Lípides do InCor (Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da FMUSP) e presidente da Sociedade Internacional de Aterosclerose (IAS). “Estudos mostram que ao menos 50% das pessoas que possuem HF e não tratam a doença sofrerão infarto ou AVC antes dos 50 anos de idade, diminuindo a sua expectativa de vida em 10 a 30 anos, o que é assustador”, diz o médico.

Esse foi o caso de Simone Cintra, 48 anos, na foto abaixo, que em fevereiro deste ano foi surpreendida por um infarto. Transferida para o InCor, ela foi submetida à cirurgia de revascularização com duas pontes de safena. Diagnóstico da causa da doença cardiovascular: hipercolesterolemia familiar.

Há anos Simone lidava com o colesterol alto, mas ela achava que o problema estava na dieta: “eu adoro comer pão”, diz. Mesmo o histórico de dois tios que morreram de infarto jovens não foi suficiente para acender a luz de alerta na família: “para nós, não existia HF”. Hoje ela faz acompanhamento específico para tratar a doença, que inclui doses diferenciadas de medicamentos para controle do colesterol, dieta restrita e atividade física.

A HF é uma doença caracterizada por valores de colesterol cerca de duas vezes mais elevados que a média, e isso desde o nascimento. Segundo o Estudo Longitudinal de Saúde do Adulto (ELSA-Brasil), uma em cada 263 pessoas tem a doença, com incidência maior em mulheres – uma em cada 244 -, e em negros – um caso em cada 156.

“Os valores do colesterol total nessas pessoas, inclusive crianças, pode ultrapassar 500 mg/dl, quando os valores preconizados são de, no máximo, 220 mg/dl”, ressalta do Dr. Santos Filho. O InCor possui um dos maiores programas de rastreamento da doença no mundo, o Hipercol Brasil.

Criado 2009, ele tem a meta de diagnosticar, direta ou indiretamente, toda a população brasileira vítima da HF, por meio de exames genéticos específicos, realizados no Brasil somente pelo Laboratório de Genética e Cardiologia Molecular do InCor.

A família de Marcelo Campos, administrador de empresas de 59 anos, foto abaixo, está nesse processo. Marcelo tratava seu colesterol desde os 35 anos de idade com medicamentos, dieta e atividade física orientada por médico, mas ele nunca conseguiu controlá-lo totalmente.

Na família já havia o histórico do pai, que morreu com 59 anos de infarto. Mas o alerta máximo, no entanto, veio com um acidente vascular cerebral em uma de suas irmãs, no final de 2018. Ela tinha hipercolesterolemia familiar.

Todos os irmãos passaram por diagnóstico genético no InCor, além da filha e sobrinhos. Saber que a família tem o gene do HF, diz Marcelo, é importante também para a prevenção da doença cardiovascular nas futuras gerações que podem ter a doença.

O Hipercol já realizou testes em mais de 5000 pessoas de diferentes localizados do Brasil. “Destas, cerca de 1700 apresentaram alteração genética relacionada com a HF”, diz Cinthia Jannes (foto abaixo), coordenadora do Hipercol Brasil.

A partir do diagnóstico, essas pessoas passam a se tratar com medicamentos específicos, dieta restrita e atividade física, seja sob a orientação dos médicos do InCor ou de médicos da região de moradia do paciente, sob orientação técnica da equipe Hipercol Brasil.

O programa mantém também um site para a população (www.hipercolbrasil.com.br) com informações sobre como identificar a hipercolesterolemia familiar e contato com a equipe do InCor: hipercolbrasil@incor.usp.br ou (11) 2661-5329.

Campanha de diagnóstico

Para alertar os médicos e a população sobre a necessidade do diagnóstico e tratamento precoces da doença, o InCor realiza na próxima terça-feira (24/9), das 10h às 14h, campanha do Dia Mundial da Hipercolesterolemia Familiar. Serão 500 senhas para medição de colesterol, visando a detectar precocemente o colesterol alto de origem familiar (saiba mais sobre a doença). Os participantes receberão também dicas de nutrição saudável e de atividade física da equipe do InCor. Não há restrição de idade para participar. Serão atendidas desde crianças até idosos, de ambos os sexos. A ação é feita em parceria com a AHF (Associação de Hipercolesterolemia Familiar), formada por pessoas com hipercolesterolemia familiar, seus parentes e voluntários, com apoio internacional da Red Iberoamericana de HF e da FH Foundation.

Edição 249

Outubro 2019

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