Saúde

Hipertensão arterial é a maior causa de mortes por doenças cardíacas no Brasil

Comentário(s) 28 abril 2019

hipertensao

A hipertensão arterial mata cerca de 30 milhões de pessoas por ano no Brasil, de acordo com dados do Ministério da Saúde. A cardiologista e coordenadora da cardiologia do Salomão Zoppi, laboratório da Dasa, Rica Buchler, faz um alerta: a evolução da doença no território brasileiro acontece porque a maioria da população não faz o tratamento da doença adequadamente, o que gera consequências graves.

A hipertensão arterial ou pressão alta é uma doença crônica caracterizada pelos níveis elevados da pressão sanguínea nas artérias. E é um dos principais fatores de risco para a ocorrência de acidente vascular cerebral, enfarte, rotura de aneurisma arterial prévio e insuficiência renal e cardíaca. “A doença é responsável por pelo menos 40% das mortes por AVC, 60% dos infartos e, em combinação com o diabetes, 50% dos casos de insuficiência renal”, explica a médica. Além disso, uma pesquisa do Ministério da Saúde indica que a hipertensão já atinge cerca 25% da população brasileira na atualidade e 94% dessas pessoas não controlam adequadamente a doença com medicamentos.

“Por ser tratar de uma doença silenciosa, em alguns casos, o paciente só descobre sobre ela nos casos mais graves, quando causa complicação, como AVC, insuficiência renal, infarto, entre outras”, considera a especialista. Por isso, a médica ressalta, que a avaliação correta e a interpretação da pressão arterial são essenciais para o diagnóstico. “É importante procurar um médico ao identificar qualquer alteração e o ideal é realizar exames complementares conforme a indicação do profissional. A pressão alta não tem cura, mas tem tratamento, pode ser controlada e somente um médico poderá determinar o melhor método para cada paciente.”, explica. Os sintomas mais comuns apresentados por pessoas hipertensas são dor de cabeça, falta de ar, visão borrada, sensação de desconforto nos ouvidos, tontura e dores no peito.

Após o diagnóstico e a indicação do tratamento, o paciente deve seguir a risca as indicações prescritas pelo médico. De acordo com o Ministério da Saúde, 90% dos casos de hipertensão são herdados dos pais, mas há vários hábitos de vida do indivíduo que influenciam nos níveis de pressão arterial.

A pressão alta faz com que o coração tenha que exercer um esforço maior do que o normal para fazer com que o sangue seja distribuído corretamente no corpo e isso se intensifica no caso de obesos, um dos grupos mais propensos a desenvolver. “O excesso de peso, aliado ao sedentarismo e má alimentação de produtos altamente gordurosos e ricos em sal, são fatores de alto risco para o hipertenso”, diz a médica. Dados do Ministério da Saúde indicam que 53% da população brasileira estão acima do peso e cerca de 46% praticam atividade física de forma insuficiente.

O avanço da idade também merece atenção dos pacientes. Rica Buchler esclarece que na terceira idade a pressão alta pode ser desencadeada por outras doenças, como insuficiência renal, diabetes e aterosclerose (placas de gordura nas artérias). “Pacientes idosos apresentam um aumento da rigidez das artérias, o que eleva a pressão dentro dos vasos sanguíneos”, explica.

Como se prevenir?
- Aferir a pressão arterial anualmente em todas as pessoas acima de 18 anos;

- Praticar atividades físicas regulares, como caminhada de 30 minutos ao dia pelo menos cinco vezes durante a semana;

- Evitar consumo de álcool e cigarro em demasia;

- O consumo de sódio deve ser moderado, no máximo 2,3 grama por dia, de acordo com a profissional. O ideal é que os alimentos, como carne, por exemplo, sejam temperados um dia antes e, de preferência com temperos naturais como limão, alho e ervas finas. Evite temperos prontos, como molho shoyu, caldo de galinha, sopas industrializadas, tempero para macarrão instantâneo. Um tablete de caldo de carne ao dia ultrapassa a recomendação máxima diária de sódio;

- Opte pelo que é mais saudável, procure por alimentos frescos, que podem ser encontrados em supermercados e feiras da sua região. Produtos em conserva como milho, ervilha, pepino, por exemplo, são mais práticos e de fácil manuseio, mas são altamente ricos em sódio e não possuem o mesmo sabor do original, pois contém conservantes e corantes alimentícios que alteram o paladar.

Edição 248

Setembro 2019

Confira as edições anteriores

© Jornal Mexa-se 2013 todos os direitos reservados.

io! Comunica