Saúde

Ilusões do dia a dia

Comentário(s) 29 agosto 2017

Samira Bana

Samira Bana

Vivemos tempos di­fíceis, confusos, até. São tempos novos, de muito desenvolvimento tec­nológico, de muita especula­ção nas mais diversas áreas da sociedade e, com isso, mui­tas vezes, o preço emocional a se pagar pelos indivíduos tor­na-se cada vez mais alto.

Uma sociedade competiti­va exige não só o melhor do indivíduo, mas esse melhor tem se confun­dido com a exigência interna de uma gran­de maioria de pessoas de não poder ter di­ficuldades, de não poder errar a ponto de se impor sacrifícios de banir uma vida familiar, participar do crescimento de filhos, tudo em nome de uma carreira brilhante, um empre­go estável, sucesso, ser o “the best”.

Na contramão, temos os princípios do de­senvolvimento emocional que priorizam os afetos nas relações humanas, a capacidade de se vincular ao outro, de elaborar os afe­tos agressivos, enfim, tudo o que é pertinen­te à questão humana.

É um jogo de equilíbrio constante entre o TER e o SER, difícil, afinal o dinheiro é um po­deroso sedutor que permite sonhos, aquisição de coisas desde uma simples satisfação até a ilusão de se sentir preenchido, ser completo.

Essa é a tênue linha divi­sória entre os limites da saú­de mental e seus derivativos, e nestes tempos de mudan­ças, conflitos e toda sorte de adversidades, perder os limi­tes entre o prazer e realida­de é algo comum de se pre­senciar.

Contudo, engana-se quem culpa o progresso e sua alta tecnologia pelos desvarios do homem. As dificuldades do ser humano ao longo de sua vida dependem da interação en­tre diversos fatores emocionais, ambientais e familiares. Apesar de todas as conquistas pre­sentes na realidade atual, o desenvolvimen­to emocional e suas vicissitudes seguem seu curso desde que o mundo é mundo.

A noção de limites sempre norteará os ru­mos da vida e não a tecnologia, a realidade virtual e suas mídias, mas, sim, como foram suas vivências, sua tolerância, as frustrações, suas ligações, vínculos, perdas e separações. E, assim, o homem buscará a ilusão de uma estrada sem fim, ou irá de encontro à satis­fação das pequenas grandes realizações de seu dia a dia.

Artigo da psicóloga Samira Aparecida Bana (CRP 06- 8849). Contatos: 11-4586-7281, 97362-5757

Edição 224

Setembro 2017

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