Tendência

Intercâmbio depois dos 40

Comentário(s) 13 julho 2019

intercambio

A lógica social dos anos 80/90, na maioria dos países, era trabalhar ( se possível na mesma empresa até se aposentar), ter filhos, comprar uma casa e troca de carro (se possível todo ano). Os adultos conheciam no máximo as cidades próximas a eles e concediam tempo para viajar apenas nos feriados e/ou férias. Esse cenário vem se alterando, e muito, com o passar dos anos. A lógica do trabalho mudou e as pessoas investem o seu capital mais em experiências do que em produtos.

De acordo com a pesquisa Selo Belta (pesquisa anual que ocorre desde o ano 2016 e analisa o comportamento do viajante/intercambista) da Associação de Agências de Intercâmbio do país: 365 Mil pessoas embarcaram para realizarem intercâmbios em 2018. Dessas, 17,7% tinham 40 anos ou mais.

“Estamos falando de um aumento significativo dessa faixa etária. Em 2017 foram 15,1%. Outro dado interessante é que 62% das pessoas que embarcaram eram mulheres e estavam viajando sozinhas. É uma independência inspiradora” comemora Maura Leão, presidente da Belta.

O número de intercambistas também aumentou de 2017 para 2018. Foi de 302 Mil estudantes para 365 Mil. Gerando uma movimentação financeira de 1,2 bilhão de dólares. “Mesmo em um ano de crise , os brasileiros(a) não deixaram de investir na sua educação e também em conhecer novos lugares. A maioria, dessa faixa etária, opta por fazer o curso de idioma. Porém, sempre combinam com algum outro curso como culinária, fotografia, entre outros”, evidencia Allan Mitelmao, diretor da Belta.

O que chama atenção também na pesquisa Selo Belta 2018 é o tempo dedicado para o intercâmbio: aumentou a escolha pelo período de 30 dias. Em 2017, 28,6% correspondia a esse tempo de duração, já em 2018 foi para 32,3%. Isso acontece porque essa faixa etária, 40 anos ou mais, optam por ter mais conforto durante a estadia. Por este tempo de viagem é possível ficar em um hotel ou mesmo alugar um apartamento por meio do Airbnb. ” Claro que isso não impede que esse intercambista fique em casas de família ou mesmo em residência estudantil. Tudo vai depender muito do perfil dele. Há cursos inclusive que só aceitam a faixa etária de 40+. Assim, vale uma pesquisa detalhada de qual modalidade ele quer optar e claro olhar a lista das agências Selo Belta para não ter surpresas desagradáveis na aquisição do pacote”, orienta Maura Leão, presidente da associação.

Para ajudar você que optou a fazer um intercâmbio após os 40 anos, Mariglan Gabarra, diretora da Belta, e com duas experiências viajando sozinha e após os 40, cita 6 dicas para ir bem nessa experiência:

  • Recupere a sua capacidade de sonhar

Não tenha medo de se desligar da família. Esse é o momento que você vai sair da sua zona de conforto e por isso estipule um horário para falar com as pessoas no Brasil. Lembre-se de viver essa experiência e que você tem a mesma capacidade de aprender um novo idioma como os mais jovens. A nossa mente é elástica. Tudo depende do tempo que dedicamos para trabalhá-la.

  • Um olho no aprendizado e o outro em viver a cultura

A Belta mostrou que 67,7% das pessoas com 40 anos ou mais optam pelo intercâmbio com curso de idioma. E isso é excelente, porém recorda-se também de viver a cidade. Vá nos estabelecimentos que só as pessoas que moram no local frequentam e etc. Aprenda o idioma e vivencie a cidade como os indivíduos nascidos nesses locais. A Experiência, dessa forma, será única e você voltará realmente mais liberta.

  • Inclua um curso que tenha a ver com o seu momento atual

Caso você ainda trabalhe e veja uma perspectiva de crescimento ou mesmo um outro tipo de melhora para a sua carreira, você pode optar por cursos de pós graduação ou/e outros cursos profissionais. É o que apontou a pesquisa Selo Belta, as pessoas com 50 anos ou mais optaram pela pós graduação Strict Sensu (Essa modalidade ocupou o segundo lugar com 7,7%). Caso, prefira você pode também fazer a dobradinha do curso de idioma com cursos livres como história da arte ou gastronomia.

  • Atenção para a escolha do destino

Aqui vale uma análise do seu perfil: qual o clima que se sente melhor, se prefere um local badalado ou mais tranquilo, quanto capital tem disponível, entre outros. Lembre-se de respeitar os seus limites e também optar por uma cidade que tenha a ver com os seus gostos. Se gosta de calor vale conhecer Malta, por exemplo, se prefere o frio, o Canadá pode ser uma ótima opção. Inclusive, Canadá domina pelo décimo segundo ano consecutivo como destino preferido pelos intercambistas.

  • Saúde mental e física

Ficar com receio de viajar por conta da saúde é algo que tem solução. Procure um médico e faça um checkup antes de realizar o intercâmbio. Dessa forma, você viajará mais tranquilo. Lembre-se de contratar um seguro viagem que cubra os imprevistos. Outra dica bacana é que há psicólogos especializados em viagens.

Edição 247

Agosto 2019

Confira as edições anteriores

© Jornal Mexa-se 2013 todos os direitos reservados.

io! Comunica