Saúde

Ioga é para gordos?

Comentário(s) 28 abril 2016

Sim. Uma per­gunta que es­cuto muito é se Ioga é para pes­soas gordas, velhas, deficientes físicos ou pessoas comuns que não são ginastas profissionais. Muito difundida por fa­mosos como Gise­le Bündchen e Rodrigo Santoro, a Ioga está se popularizando e muitos profissionais es­tão se especializando mais e se aprofundan­do na filosofia que é a sua base. Nas acade­mias já se ensina há algum tempo os ásanas, posturas físicas, mas Ioga não é só fazer po­ses mirabolantes contorcendo-se como um artista circense.

Tenho 42 anos, pratico Ioga há 10 anos e sou gordo. Ops! Expressão feia, não? Sinô­nimos então para ajudar: sou uma pessoa acima do peso ideal, robusta, com estrutura grande, com ossos grandes, pessoa “fora de forma”, ou outras expressões que disfarçam a realidade dos meus 129 kg . Sim, tenho es­se peso e não tenho problemas, pois a Ioga me trouxe presença e consciência. Apren­di com o Ayurverda, medicina milenar tra­dicional indiana, que todos nós temos nos­sos doshas, nossos biotipos variáveis e que, respeitando esse equilíbrio natural, isso traz paz e harmonia, não fazendo diferença os pa­drões ditadores da estética.

Só essa informação já bastaria para pra­ticarmos a Ioga. Além disso, existem muitos outros motivos. A disciplina mental e espiri­tual agregada à sua prática traz equilíbrio e conforto. Existem, sim, muitas posturas que não consigo fazer sem algumas adaptações, mesmo sendo instrutor de Ioga. Mas, ao res­peitar meus limites corporais, eu respeito minha vida e integro isso de forma harmo­niosa e sublime com conhecimento profun­do na fisiologia do corpo e adaptando qual­quer pessoa para a prática.

Sobre os princípios da Ioga, temos uma vas­ta sabedoria para assi­milar e aplicar em nos­sa vida. A Ioga tem oi­to passos muito bem sinalizados em um li­vro que seria como a sua”bíblia” – os Io­ga Sutras de Patanjali. São eles: YAMAS, ati­tudes éticas que de­vemos ter diante do mundo e de nós mesmos: Ahimsa (não vio­lência), Satya (não mentir), Asteya (não rou­bar), Brahmacharya (não promiscuidade e exagero dos sentidos); Aparigraha (desape­go). NYAMAS, cinco atitudes que devemos promover em relação a nós mesmos: Sau­cha (limpeza tanto física como sutil, mental), Santosha (contentamento), Tapas (autodisci­plina, austeridade), Swadhyaya (estudo de si mesmo, auto-observação), Ishvara Pranidha­na (devoção, estar em unidade com o divino). ÁSANAS: posturas físicas. Segundo Patanja­li, o ásana deve ser estável e confortável, is­so significa que a intenção nos estabiliza e a proteção nos conforta. PRANAYAMA: expan­são da energia vital (prana) por meio da res­piração. PRATYAHARA: controle dos senti­dos e a estabilização das sensações da men­te. DHARANA: concentração e atenção fixa em um único ponto. DHYANA: meditação. SAMADHI: estado de comunhão com Deus.

Com isso, vemos que a prática da Ioga es­tá muito além de posturas fotográficas, e sim beneficiando a reforma íntima de cada um, trazendo conforto e bem-estar para o indi­víduo. Por isso eu digo, com muito orgulho: sou iogi praticante e gordo, mas se a palavra for forte demais, usemos os sinônimos que mais se adequarem, mas nunca deixem de fazer algo tão maravilhoso como a Ioga pa­ra a vida de vocês.

Namastê!

William Faccini é Instrutor de Ioga do Prem Sammasati.

Contatos: 11-3446-8404, 99939-0537

Edição 224

Setembro 2017

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