Saúde

Leite materno: fonte de vida e saúde

Comentário(s) 31 julho 2019

De acordo com especialistas, os benefícios do leite materno são inúmeros tanto para os bebês quanto para as mães –  nos primeiros seis meses de vida de um bebê essa deve ser sua única fonte de alimento. Sendo assim a alimentação e ingestão de nutrientes específicos devem ser um ponto de atenção.

É o que explica  a nutricionista Marinna Reis. “É importante enfatizar que no período de amamentação a alimentação, noites de sono regulares e uma ingestão adequada de líquidos são fatores que podem influenciar na produção do leite materno. É interessante, neste período, variar a alimentação em cores e sabores, o que faz com que a mãe tenha um aporte maior de nutrientes, contribuindo de forma positiva  para a sua saúde e a do bebê. Uma alimentação pobre em nutrientes pode deixar a mãe desnutrida e isso não é interessante, pois pode gerar uma piora na disposição, o estresse oxidativo aumenta e a produção do leite pode ser prejudicada”, alerta.

Alimentação: o que comer e o que evitar?

Como a hidratação tem um papel de destaque neste período, a ingestão de líquidos ricos como chás (os que são liberados) e sucos (principalmente os que unem frutas, vegetais e sementes) são fortes aliados na produção do leite. Em relação à alimentação balanceada para as mulheres em fase de aleitamento recomenda-se uma ingestão adequada de macronutrientes (carboidratos, proteínas e lipídeos), além de vitaminas e minerais. Prezar pela naturalidade dos alimentos também é algo a ser levado em consideração, ou seja, desembalar menos e descascar mais.

No período de amamentação é comprovado que alguns alimentos influenciam no bem-estar do bebê. Legumes (cozidos, crus), frutas, suco de frutas e ovos são riquíssimas fontes de nutrientes além de atuarem na prevenção de alergias futuras.

Ainda na esfera alimentícia, a ingestão de alguns alimentos específicos deve ser moderada. Como é o caso de alimentos ricos em enxofre (feijão, couve, brócolis, rabanete, couve-flor) que, mesmo sendo muito saudáveis, quando consumidos em excesso podem gerar cólicas e desconfortos gástricos no bebê. O consumo de leites bem como seus derivados e alguns condimentos (açafrão, pimenta, cacau) também necessita de atenção por parte das mães. Alimentos como café, bebidas alcoólicas, fast-foods em geral devem ser evitados.

Desmistificar é preciso!

Quem nunca ouviu algum familiar mais tradicional compartilhar suas teorias sobre como alguns alimentos e bebidas aumentam e/ou diminuem a produção de leite materno? Quantas mães e avós não consideram as cervejas pretas, caldo-de-cana e canjica como aliadas poderosas neste período?  Para a nutricionista, esses credos populares precisam ser desmistificados o quanto antes. “Não existem alimentos específicos que aumentam ou diminuem a produção de leite. O que garante que essa produção seja eficaz são boa pegada do bebê e a sua sucção, baixo estresse e ansiedade na mãe e hidratação correta”. A especialista ainda aponta como quantidade ideal de consumo de água  de 4 litros por dia. Outras desmistificações são:

  • A amamentação não faz mal à mãe. Pelo contrário, o ato de amamentar ajuda a mãe a perder peso mais rapidamente após o parto, além de diminuir o sangramento intrauterino no pós-parto;

  • A amamentação não causa dor nos seios da mulher. Pode ocorrer um inchaço no seio e o vazamento do leite, além de um desconforto físico, mas se a mãe tiver sido corretamente orientada antes, a pega correta (relação da boca do bebê com a mama da mãe) e uma massagem no seio são suficientes para garantir que não haja maiores dificuldades;

  • O leite nos primeiros dias após o parto não é mais fraco. No começo é normal um volume mais baixo e uma coloração diferente, o qual chamamos de colostro. Só depois que a produção aumenta;

  • Mulheres que amamentam não devem seguir uma dieta muito restritiva. A alimentação da mãe deve ser equilibrada e variada;

  • Excesso de exercício físico aliado a dieta restritiva podem prejudicar a produção do leite materno.

Fonte de vida

Essa série de cuidados mostra-se necessária na medida em que o leite materno é de extrema e vital importância, pois o leite produzido pela mãe contém todos os nutrientes necessários para o crescimento e desenvolvimento do bebê. “Além disso, o leite materno contribui para a formação da resposta imunológica (contém imunoglobulinas) e também atua na manutenção da microbiota (função intestinal) do bebê”, conclui a nutricionista Marinna.

Dia Mundial da Amamentação

Comemora-se no dia 1 de agosto o Dia Mundial da Amamentação, data criada no ano de 1992 pela Aliança Mundial de Ação Pró-Amamentação (World Alliance for Breastfeeding Action – WABA) com o intuito de conscientizar as mulheres sobre a importância do aleitamento materno.

Edição 246

Julho 2019

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