Saúde

Liberação miofascial

Comentário(s) 16 maio 2016

A liberação miofascial é uma técnica altamente especializada de alonga­mento utilizado por fisioterapeutas para tratar pacientes com uma variedade de problemas de tecidos moles.

A fáscia é uma lâmina de tecido conjuntivo que envolve cada músculo e cada fibra den­tro de um músculo, protegendo e evitando o atrito e coordenando seus movimentos. Au­xilia no deslizamento dos músculos entre si. Em certos locais, a fáscia pode se encontrar mais espessa e dela partem prolongamentos que vão se fixar aos ossos, denominadas de septos intermusculares, com função de sepa­rar grupos musculares em compartimentos.

Todo o alonga­mento muscular é, na verdade, o alon­gamento da fáscia e do músculo, a unida­de miofascial. Quan­do as fibras muscu­lares são lesadas, as fibras e as fáscias ao seu redor tornam-se curtas e tensas. Este es­tresse desigual pode ser transmitido através da fáscia para outras partes do corpo, cau­sando dor e uma variedade de outros sin­tomas em áreas muitas vezes não espera­das. A liberação miofascial trata esses sin­tomas aliviando a tensão desigual na fás­cia lesionada.

Em outras palavras, a liberação miofascial é o alongamento da fáscia. Pequenas áreas de músculo são tratadas a cada movimento. Por vezes, o terapeuta utiliza apenas dois de­dos para estirar uma pequena parte de um músculo. O feedback que o terapeuta sente determina que músculos sejam alongados e em que ordem.

A aplicação da técnica de liberação mio­fascial baseia-se sempre nos mesmos com­ponentes. O fisioterapeuta encontra a área de tensão. Um alongamento é aplicado à área contraturada. O fisioterapeuta espera o teci­do relaxar e, em seguida, aumenta o alonga­mento. O processo é repetido até que a área esteja totalmente relaxada. Em seguida, a próxima área é tratada.

O terapeuta encontra pontos doloridos apenas pelo tato. Muitas vezes, os pacientes são incapazes de identificar alguns pontos doloridos ou que estão acostumados a viver com eles até o fisioterapeuta encontrá-los. São os pontos gatilhos miofasciais. O tama­nho e a sensibilidade desses pontos dolori­dos vão diminuindo com o tratamento.

A maioria dos pacientes fica surpresa co­mo a liberação miofascial é suave. Pode ser extremamente relaxante. Alguns pacientes chegam a adormecer durante o tratamento.

A liberação miofascial não é massagem. É usada para equalizar a tensão muscular em todo o corpo. Tensão muscular desigual pode contrair músculos e comprimir nervos, cau­sando dor. Soltando e manipulando as aderên­cias da fáscia e devolvendo sua elasticidade e flexibilidade perdi­das consegue-se eli­minar dores crôni­cas ou não, do tipo dores miofasciais.

O progresso é me­dido por uma dimi­nuição na dor do pa­ciente e por uma me­lhoria na postura geral.

Quem pode se beneficiar de liberação miofascial?

Gestantes, vítimas de acidentes, trauma­tismos, infecções e muitas outras situações que criam alterações na estrutura fascial que acabam por resultar em dores.

A liberação miofascial demanda tempo e atenção individualizada e é altamente eficaz no tratamento de pacientes com os seguin­tes diagnósticos: dores causadas por lesões do tipo golpe em chicote do pescoço, dor cer­vical crônica, dor de cabeça, alguns tipos de tonturas e vertigens, disfunção com dor na ATM, dor ao longo da coluna torácica, ten­são lombar, dor lombar crônica, síndrome do desfiladeiro toráxico, queixas de dores com­plexas pelo corpo, fibromialgia, fibrosite, dis­função com dor miofascial, fasciíte plantar, sintomas pós-pólio, pontos-gatilho, e síndro­me do túnel do carpo, entre outros.

Laura Ezequiel Rodrigues é fisioterapeuta (CREFITO 199751-F), pós-graduada em Fisioterapia Pélvica, instrutora de Pilates, terapeuta manual e doula. Contatos: 11-3379-0519 e 98696-8827 (WhatsApp), www.urofisiobrasil.com

Edição 224

Setembro 2017

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