Saúde

Mitos e verdades sobre a epilepsia

Comentário(s) 11 março 2016

epilepsia

No dia 26 de março é celebrado o Purple Day, Dia Mundial de Conscientização sobre a epilepsia. Historicamente, a doença traz uma bagagem de preconceitos e estigmas que envolvem questões sociais e psicológicas que vão além da medicina. Por isso, é preciso desmitificar essa enfermidade que atinge mais de 50 milhões de pessoas no mundo, e cerca de 3 milhões de brasileiros, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS).

A epilepsia é uma doença neurológica caracterizada por descargas elétricas anormais e excessivas no cérebro que são recorrentes e geram as crises epilépticas. As crises podem se manifestar com alterações da consciência ou eventos motores, sensitivos/sensoriais, autonômicos (por exemplo: suor excessivo, queda de pressão) ou psíquicos involuntários percebidos pelo paciente ou por outra pessoa.

A seguir, a dra. Adélia Henriques Souza, neurologista infantil e presidente da Liga Brasileira de Epilepsia (LBE), esclarece alguns mitos e verdades sobre a doença:

A epilepsia é uma doença contagiosa - MITO

A epilepsia é uma doença neurológica não contagiosa. Portanto, qualquer contato com alguém que tenha epilepsia não transmite a doença.

Durante uma crise convulsiva, deve-se segurar os braços e a língua da pessoa -  MITO 

Durante uma crise o ideal é colocar o paciente deitado com a cabeça de lado para facilitar a saída de possíveis secreções e evitar a aspiração de vômito. A cabeça deverá ser apoiada sobre uma superfície confortável. É importante não introduzir qualquer objeto na boca, não tentar interromper os movimentos dos membros e não oferecer nada para a pessoa ingerir.

Toda convulsão é epilepsia -  MITO

A crise convulsiva é uma crise epiléptica na qual existe abalo motor. Para considerar que uma pessoa tem epilepsia ela deverá ter repetição de suas crises epilépticas, portanto a pessoa poderá ter uma crise epiléptica (convulsiva ou não) e não ter o diagnóstico de epilepsia.

Epilepsia é uma doença mental -  MITO

A epilepsia é uma doença neurológica, não mental.

Os paciente com epilepsia não podem dirigir – MITO

Segundo a Associação Brasileira de Educação de Trânsito, o paciente com epilepsia que se encontra em uso de medicação antiepiléptica poderá dirigir se estiver há um ano sem crise epiléptica – dado que deve ser apresentado através de um laudo médico. Caso o paciente esteja em retirada da medicação antiepiléptica, ele poderá dirigir se estiver há no mínimo dois anos sem crises epilépticas e ficar por mais seis meses sem medicação e sem crise. Já a direção de motocicletas é proibida.

 É possível manter a consciência durante uma crise de epilepsia -  VERDADE

Sim, é possível. A manifestação clínica da crise epiléptica relaciona-se com a área do cérebro de onde a crise é gerada. As crises epilépticas APRESENTAM-SE de diferentes maneiras: podem ser rápidas ou prolongadas; com ou sem alteração da consciência; com fenômeno motor, sensitivo ou sensorial; únicas ou em salvas; exclusivamente em vigília ou durante o sono.

O estresse é um fator desencadeador de crises de epilepsia -  VERDADE

O estresse é um dos fatores que pode deflagrar uma crise epiléptica.

Existem medicamentos capazes de controlar totalmente a incidência das crises -  VERDADE

Cerca de 70% dos casos de epilepsia são de fácil controle após o uso do medicamento adequado.  Os 30% restantes são classificados como epilepsias refratárias de difícil controle.

A epilepsia pode acometer todas as idades -  VERDADE

A epilepsia acomete desde o período neonatal até o idoso, e pode ter início em qualquer período da vida.

O paciente com epilepsia pode ter uma vida normal -  VERDADE

Pacientes com epilepsia, desde que controlados, podem e devem ser inseridos completamente na sociedade, ou seja, devem trabalhar, estudar, praticar esportes, se divertir.

Sobre o Purple Day

O Purple Day é um movimento internacional, que tem como objetivo aumentar a consciência sobre a epilepsia. Anualmente, no dia 26 de março, as pessoas são convidadas a se vestir de roxo nos eventos em prol da conscientização sobre a doença.

A data foi criada em 2008 por Cassidy Megan, na época com nove anos, em Nova Escócia no Canadá, com a ajuda da Associação de Epilepsia da Nova Escócia (EANS). Em 2009, a Fundação Anita Kau­mann, sediada nos EUA, tornou-se parceira do movimento. No Brasil, o Purple Day está presente desde 2011.

 

Edição 224

Setembro 2017

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