Saúde

Mitos e verdades sobre o marcapasso

Comentário(s) 14 fevereiro 2017

O Brasil é um dos países pioneiros no implante de marcapassos e, mesmo assim, segundo dados do Censo Mundial de Marcapassos e Desfibriladores, são implantados apenas 215 dispositivos por milhão de habitantes, um número que demonstra atraso em relação a outros países como Argentina, Uruguai e Porto Rico, além dos europeus.  O marcapasso é cercado por uma série de mitos que fazem com que médicos não especialistas e pacientes tenham dúvidas e até mesmo receio quanto à sua utilização. Muitas destas dúvidas estão relacionadas às limitações, que são raras, no dia a dia dos portadores desses dispositivos.

Outros fatores que contribuem para um número menor de implantes em nosso país são:

- A desinformação sobre as reais indicações segundo as nossas diretrizes para implantes de marcapasso, desfibriladores e ressincronizadores;

- As dificuldades para liberação destas próteses pelos órgãos governamentais locais;

- A distância para os grandes centros que são habilitados para realização desses procedimentos.

“O assunto é muito mal compreendido no país. As pessoas não sabem como o dispositivo funciona, nem quando é indicado. Além disso, convivem com uma série de mitos que ajudam a criar um preconceito em relação aos implantes”, explica Carlos Eduardo Duarte, médico especialista em Estimulação Cardíaca e colaborador da ABEC/DECA - Associação Brasileira de Arritmia, Eletrofisiologia e Estimulação Cardíaca Artificial/Departamento de Estimulação Cardíaca Artificial.

Para ajudar a mudar esta realidade, a ABEC / DECA conta com uma campanha anual, o Dia do Portador de Marcapasso, em que distribui um material didático que esclarece as principais dúvidas sobre o tema, como estas abaixo:

O que é – O marcapasso é um dispositivo eletrônico que foi idealizado para corrigir determinadas doenças do coração que reduzem a frequência dos batimentos cardíacos e produzem sintomas incapacitantes. O dispositivo substitui o sistema elétrico natural do coração que, em condições normais, trabalha com ritmo e frequência adequadas, respondendo de acordo com as necessidades do corpo humano.

Quando é utilizado – É utilizado para aumentar a frequência cardíaca nas doenças que reduzem as propriedades elétricas do coração. Isso porque o paciente que necessita do dispositivo tem um coração lento, que, batendo devagar, pode produzir sintomas como tonturas, vertigens, desmaios, cansaço, falta de ar e inchaço nas pernas. “Com o marcapasso, o coração volta a bater com frequência normal”, afirma Duarte.

Como funciona – O marcapasso é composto por um gerador (circuito eletrônico e uma bateria) e eletrodos, que são fios metálicos revestidos por uma fina camada de silicone. Conectados ao gerador, eles conduzem a eletricidade para o coração.

Tipos – Existe o Marcapasso Ressincronizador, recomendado a portadores de insuficiência cardíaca congestiva e dissincronia. Ou seja, este modelo não está ligado à lentidão dos batimentos. Diferencia-se por estimular as duas metades inferiores do coração (ventrículos) ao mesmo tempo, corrigindo uma dissincronia que existe entre elas. Já o Cardiodesfibrilador Implantável (CDI) é indicado em casos de doenças que fazem o coração bater acelerado, chamadas taquicardias. Com a frequência muito alta, o órgão não enche completamente e não há oxigênio suficiente para o corpo, podendo provocar tonturas, desmaios, pressão arterial baixa e até parada cardíaca.

Dia a dia do portador – Este é o tema acerca do qual surgem os principais mitos. Ao contrário do que se fala por aí, são poucas as limitações cotidianas do portador. Os eletrodomésticos em geral, incluindo o micro-ondas, podem ser utilizados sem restrições, assim como os telefones celulares.  Todo portador possui um documento de identificação que dá o direito de entrar por uma porta diferente das giratórias nos bancos, sem o detector de metais. “Em relação à atividade física, o marcapasso em si não impossibilita os exercícios, mas, muitas vezes, a doença cardíaca do portador é limitante. Por isso, deve haver uma avaliação do cardiologista”, explica Duarte.

Segundo o especialista, um dos maiores desafios do segmento é a conscientização dos médicos, por meio de informação e formação. Um melhor conhecimento desta especialidade levará  ao diagnóstico precoce e, desta forma, o marcapasso será implantado de forma eletiva. “Nem sempre é necessário esperar o paciente ficar mal para indicar a cirurgia, às pressas e com urgência”, conclui.

 

 

Edição 224

Setembro 2017

Confira as edições anteriores

© Jornal Mexa-se 2013 todos os direitos reservados.

io! Comunica