Saúde

Comer só mais uma colherada? Não!

Comentário(s) 28 junho 2016

Em meio a pacientes adultos com obe­sidade, ouvimos muitos dizer que quando estão diante da comida não conseguem parar de comer, dizer não, ou se sentir satisfeitos. Passam da sensação de fo­me ao mal-estar por estarem muito cheios, e perdem a sensibilidade de ouvir o próprio corpo. Pois bem, a criança tem essa sensibi­lidade aguçada – ela reconhece quando es­tá com fome e quando precisa parar de co­mer. Assim como o be­bê que pede para ma­mar quando sente ne­cessidade e para quan­do está satisfeito.

Muitos pais ficam preocupados com a quantidade de alimen­tos que seus filhos es­tão consumindo. Tal­vez por desconhecerem a quantidade ade­quada ou o tamanho do estômago da criança. Para muitos pais, comer bem significa comer bastante. Isso não é verdade. Isso pode levar à obesidade. Nessa ansiedade, os adultos aca­bam forçando a criança a comer além do que precisa, fazendo-a perder a sensibilidade à própria saciação (sensação que leva ao tér­mino da refeição) e acabam por ensinar para a criança que o correto é comer além do que precisa, comer para ser saudável, comer pa­ra agradar as pessoas etc. E esse aprendiza­do a criança leva para a fase adulta.

Às vezes, esse gesto acontece de maneira despercebida, como, por exemplo, implorar para a criança comer só mais uma colherada; distrair a criança com brinquedos, TV ou ta­blet enquanto ela come; barganhar (doce só depois que comer tudo); chantagear (a ma­mãe vai ficar triste se não comer); ameaçar (vai ficar de castigo se não comer tudo); até elogiar quando se come tudo; bater palmas ou ficar falando para todos que a criança co­me tudo e enfatizar que isso é bom; fazer pro­messas (se comer tudo, dou um brinquedo). Todas essas maneiras de obrigar a criança a comer mais do que o necessário para ela naquele momento faz com que se crie uma relação conflituosa com o alimento.

A alimentação deve ser apenas mais um momento do dia, sem euforia nem chatea­ção. Ela simplesmente deve acontecer. Se o crescimento e ganho de peso estiverem ade­quados, não há necessidade de se preocu­par se ela não comer tudo o que você, adul­to, achar necessário.

Camila Andrade (CRN 32158) e Cleonice Lemes (CRN 24368) são nutricionistas da La Vie Clínica de Nutrição.
Contatos:
11-4586-7545, facebook/lavie.nutricao

Edição 224

Setembro 2017

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