Saúde

O tal autoconhecimento

Comentário(s) 28 abril 2018

Muitos clientes procuram a psicote­rapia para entender seus relacio­namentos interpessoais, porém acabam, muitas vezes, esquecendo-se do re­lacionamento consigo mesmos. Ao longo da vida, aprendemos que para ter determina­da consequência devemos ter determinado comportamento. Seria perfeito se tivéssemos consciência desse fa­to e o usássemos sem­pre a nosso favor. En­tretanto, às vezes nós nos boicotamos, parece um absurdo, mas acon­tece muito mais do que pensamos.

A questão é que, ao longo da vida, vamos aprendendo de acordo com o que nos é apre­sentado por meio do ambiente, em nossa re­lação com ele, e vão se formando as chama­das crenças. Se um determinado comporta­mento que temos uma primeira vez for re­forçado, tendemos a repeti-los.

"Ele não está a fim de você": conduta ruim pode ser reforçada.

“Ele não está a fim de você”: conduta ruim pode ser reforçada.

Como uma conduta ruim pode ser refor­çada? Para exemplificar, o filme “Ele não está tão a fim de você” mostra esta questão mui­to bem. A protagonista escuta desde peque­na que se o menino a trata mal é porque ele gosta dela, e esse aprendizado se torna uma crença para ela. A partir dessa crença, todos os homens que a tratam mal despertam nela interesse, pois os sinais que eles apresentam de que não querem se relacionar são inter­pretados por ela como se eles quisessem algo sério. E, quando ela se frustra com o término do suposto relacionamento, as amigas a in­centivam dizendo que os homens é que não estavam prontos, ou que perderam o telefone etc., encorajando-a em sua crença de que, se ele a tratou mal, é porque gosta dela.

Um comportamento reforçado tende a ser repetido frequentemen­te. A psicoterapia tem como objetivo analisar as consequências insa­tisfatórias e, dessa ma­neira, entender quais as crenças relacionadas e quais os comportamen­tos envolvidos para que o cliente possa ter cons­ciência e conhecimento de si podendo modificar suas crenças e, dessa forma, seu comporta­mento e consequências.

Após detectar suas crenças, para modifi­cá-las é necessário um processo. É um no­vo aprendizado sobre algo que já havia si­do aprendido, por isso leva tempo e deter­minação. Devido aos fatos apresentados é que o autoconhecimento deve ser antece­dente à análise dos relacionamentos inter­pessoais. Às vezes, é você quem não está in­terpretando corretamente os sinais de ter­ceiros, e não ele que está se comportando de maneira inadequada da informação que deseja passar. 

Por Cintia Tonetti (CRP 06/97847), psicóloga clínica. Contato: tel. 11-97642-9119

Edição 232

Maio 2018

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