Saúde

Obesidade infantil: culpa de quem?

Comentário(s) 28 abril 2016

Atualmente, enfrentamos a triste realidade de crianças com menos de cinco anos de idade diagnosticadas com obesidade. A Organização Mundial de Saúde aponta este como um dos maiores problemas de saúde pública no mundo. A projeção é que, em 2025, cerca de 2,3 bilhões de adultos estejam com sobrepeso, e mais de 700 milhões, obesos. O número de crianças acima do peso e obesas no mundo poderá chegar a 75 milhões, caso nada seja feito. No Brasil, de acordo com a última Pesquisa de Orçamento Familiar (POF), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada em 2009, cerca de 50% dos meninos e 43% das meninas de cinco a nove anos já apresentam excesso de peso sendo que 16% e 11% respectivamente são obesos.

Hoje, é possível observar em crianças o desenvolvimento de doenças antes típicas em adultos, como pressão alta e alterações no colesterol, além de problemas psicológicos e dificuldades de socialização.  Segundo Mariana Nacarato, consultora em nutrição da Associação Brasileira das Indústrias de Biscoitos, Massas Alimentícias, Pães & Bolos Industrializados (ABIMAPI), a obesidade infantil é decorrente de uma mistura de fatores.

É claro que o ambiente doméstico possui grande importância na constituição dos hábitos alimentares da criança. Mas em alguns casos, como os de tendência genética, por exemplo, os pais não têm tanta culpa. De todo modo, eles são responsáveis pela compra e preparo de alimentos, além de serem “exemplos” pelos seus próprios costumes diários.

“Culpar apenas a família ou determinados alimentos é fazer uma análise muito simplificada de tudo que está envolvido na alimentação infantil. Desmame precoce, alimentação excessiva, falta de atividade física e problemas familiares podem levar ao sobrepeso e, se não cuidado, à obesidade“, afirma a nutricionista. “É importante inserir na rotina dos pequenos porções diárias de carboidratos, proteínas, além de verduras, legumes e frutas.”

Diferentemente da imagem de vilão da saúde, o carboidrato é um nutriente essencial na alimentação infantil. Segundo o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), baseado na Organização Mundial da Saúde (OMS), a recomendação de carboidratos durante a infância é entre 55% e 75% do total de calorias consumidas diariamente. “Além do fornecimento de energia necessária para o desenvolvimento e crescimento, o carboidrato se oferecido de forma correta pode ajudar a prevenir a obesidade”, completa a especialista.

A alimentação da criança acima de dois anos, diz ela, já deve ser igual ao restante dos adultos, a única diferença é que será em menor quantidade. “Envolvê-la na preparação dos pratos e realizar refeições em conjunto, são estratégias que ajudam a adquirirem hábitos saudáveis”, finaliza.

Edição 224

Setembro 2017

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