Saúde

Os riscos do pé diabético

Comentário(s) 28 dezembro 2015

Suely Rodrigues Thuler

Suely Rodrigues Thuler

Cerca de 8,3% da população adulta mundial, aproximadamente 382 mi­lhões de pessoas, tem diabetes, sen­do 50% não diagnosticadas. No Brasil, a pre­valência da doença em adultos, acima de 35 anos, é de 11,1%, segundo dados do Minis­terio da Saúde (Vigitel 2012), ocupando a quarta posição mundial entre os dez paises com maior numero de casos entre 20 a 79 anos de idade.

Estima-se que até 25% das pessoas diabé­ticas desenvolverão uma úlcera nos pés, rela­cionada com a neuropatia diabética, que leva à perda da sensibilidade protetora, deformi­dades dos pés, mobilidade articular limita­da, atrito e traumas, agravada pela e doença arterial periférica.

A duração da doença, idade, condições so­cioeconômicas, padrões de cuidados com os pés e qualidade dos calçados também são fa­tores de risco para a ulceração. Fatores que levam ao número alarmante de mais de 1 mi­lhão de pessoas com diabetes necessitarem de amputação, anualmente, sendo a grande maioria, em torno de 85%, precedida por uma úlcera de pé. A cada 20 segundos ocorre uma amputação em uma pessoa com diabetes.

A avaliação minuciosa dos pés das pesso­as com diabetes por profissionais capacita­dos, assim como a sua frequência, tem sido ressaltada em vários estudos, demonstran­do que essa prática possibilita identificar os fatores de risco modificáveis e, com medi­das básicas de prevenção e programas edu­cativos, é possível reduzir o elevado núme­ro de amputações.

A avaliação clínica deve contemplar o his­tórico, o exame físico dos membros inferio­res, a avaliação da doença vascular periféri­ca, os testes para avaliação da sensibilida­de protetora plantar, a mobilidade articular, a pressão plantar e os exames laboratoriais e de imagem.

O controle metabólico é a principal medi­da preventiva das complicações do diabetes e da evolução das já estabelecidas. A manu­tenção de um pé saudável e sem riscos de le­sões, recidivas de úlceras e amputações, de­pende de cuidados permanentes desenvol­vidos pela equipe multidisciplinar e da ade­são às medidas preventivas e terapêuticas instruídas por meio da educação da pessoa com diabetes, familiares e cuidadores.

O desbridamento dos calos associado às ór­teses plantares e aos calçados terapêuticos re­duz a carga nos pontos de pressão, desempe­nhando um importante papel na prevenção das lesões. O uso de calçados inadequados é o fator predisponente de cerca de 50% das am­putações e a prevenção da ocorrência e recidi­va das ulcerações pode ser reduzida de 65% a 85% com o uso de calçados que acomodem os pés e dedos, sem pressioná-los, e as palmi­lhas para redistribuição de carga.

A podoprofilaxia em diabéticos tem como objetivo a manutenção da saúde dos pés e a prevenção das lesões ocasionadas por corte inadequado das unhas, deformidade das lâ­minas ungueais, onicocriptose, onicomico­se, dermatomicoses, hiperqueratoses, fissu­ras e deformidades dos pés. A visita regular ao enfermeiro podiatra ou ao enfermeiro ca­pacitado para os cuidados podiátricos é uma oportunidade para o exame dos pés e detec­ção de alterações e/ou potenciais problemas que possam colocá-lo em risco.

Suely Rodrigues Thuler é enfermeira estomaterapeuta, diretora da Associação Brasileira de Estomaterapia e especialista em Podiatria pela Universidade Federal de São Paulo

Edição 224

Setembro 2017

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