Saúde

Paralisia cerebral, o que você precisa saber

Comentário(s) 17 janeiro 2019

A paralisia cerebral é caracterizada por alterações neurológicas permanentes do desenvolvimento, causando limitações nas atividades de vida do paciente. Embora alguns apresentem formas graves, e sejam dependentes de cuidados, outros podem desempenhar uma vida muito ativa e independente, trabalhar, estudar e levar uma vida sem percalços.

Entre as principais causas está a hipóxia (situação em que, por algum motivo relacionado ao parto, condições da mãe, ou do próprio feto, há falta de oxigenação no cérebro). Exemplos de fatores de risco ou causas para a paralisia cerebral: anormalidades da placenta ou do cordão umbilical, infecções, diabetes, hipertensão arterial (eclampsia), desnutrição, uso de drogas e álcool durante a gestação, trauma durante o parto, hemorragia, hipoglicemia do feto, problemas genéticos, entre outros.

Não há cura, embora os pacientes possam ter ganhos importantes no processo de reabilitação. O prognóstico depende muito do grau de paralisia cerebral, da extensão das lesões do sistema nervoso e das condições médicas associadas.

O cérebro é constituído por duas regiões bem delimitadas: uma mais superficial, chamada de córtex, que comanda as funções superiores (linguagem, memória, comportamento, visão), e uma mais profunda, a substância branca cerebral, onde passam as vias motoras.

Lesões no córtex cerebral interferem com na linguagem, memória, comportamento, visão, ao passo que lesões da substância branca cerebral causam problemas motores, postura anormal e alterações do tônus muscular. Essas lesões são permanentes, já que a célula nervosa (neurônio) tem uma regeneração parcial ou incompleta, o que acarreta em sequelas neurológicas.

Os tratamentos disponíveis incluem cuidados e acompanhamento multidisciplinar composta por profissionais de diferentes áreas da saúde. A reabilitação com fisioterapia, fonoaudiologia e terapia ocupacional é fundamental; deve ser iniciada o mais precoce possível. O uso de órteses pode ser necessário em algumas situações. Deve-se sempre identificar as capacidades e incapacidades da criança, além de problemas relacionados, tais como convulsões, distúrbios respiratórios e digestivos. Não há prazo para o término da reabilitação, que pode se estender por toda a vida.

É possível classificar a paralisia cerebral entre formas leves, moderadas e graves. Quanto ao tipo de envolvimento do sistema nervoso, as alterações podem ser motoras, cognitivas ou ambas. As alterações motoras podem incluir problemas na marcha (como paralisia das pernas), hemiplegia (fraqueza em um dos lados do corpo), alterações do tônus muscular (espasticidade que se caracteriza por rigidez muscular) e distonia (postura anormal dos membros). Alguns pacientes com formas mais graves podem ser dependentes de cadeira de rodas, e não deambulam. Pacientes com alterações cognitivas podem apresentar problemas na fala, no comportamento, na interação social e raciocínio. Outras alterações como convulsões também podem ocorrer.

Por José Luiz Pedroso, neurologista, professor afiliado do Departamento de Neurologia da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)

Edição 241

Fevereiro 2019

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