Saúde

Plasticidade neuronal: saiba um pouco sobre essa magia cerebral

Comentário(s) 01 novembro 2016

bem viver

A plasticidade neuronal vem sendo o grande vilão da neurociência. Segun­do Rotta, Ohlweiler e Riesgo, o pal­pitante assunto plasticidade cerebral tem se constituído no maior desafio da neurociên­cia nos últimos anos. Isto se deve ao conceito geral de que o sistema nervoso central (SNC) não tem condições de se regenerar esponta­neamente depois de uma lesão da qual resul­te perda celular, tanto de neurônios quan­to de células gliais, além da descontinuida­de axonal.

Pesquisas em neurolo­gia vêm auxiliando muito no entendimento do que ocorre no SNC depois de uma lesão. Hoje se conhe­ce muito mais em plasti­cidade relacionada com o desenvolvimento nor­mal do SNC.

A partir do fim do sé­culo XIX surgiram estu­dos sobre a plasticidade neuronal e a reor­ganização cerebral, no que tange à plastici­dade e reorganização do SNC pós-lesão, mas também como a capacidade de permitir a fle­xibilidade do cérebro normal e, consequen­temente, a cognição. Entende-se, dessa for­ma, que todas as funções corticais superiores envolvidas na cognição, como gnosias, pra­xias e linguagem, são expressões da plasti­cidade cerebral.

A plasticidade cerebral depende dos estí­mulos ambientais e, também, das experiên­cias vividas pelo indivíduo. As mudanças am­bientais interferem na plasticidade cerebral e, consequentemente, na aprendizagem.

- Aprendizagem: modificação do SNC, mais ou menos permanente, quando o indiví­duo é submetido a estímulos e/ou experiên­cia de vida, que vão se traduzir em modifica­ções cerebrais, assim, as alterações plásticas são as formas pelas quais se aprende.

Sendo essa uma das definições de aprendi­zagem, fica claro que o resultado do aprender se deve à plasticidade neuronal no desenvol­vimento normal do cérebro normal, ou à plas­ticidade reacional a uma lesão, na tentativa de reorganizar o SNC.

O cérebro tem muito mais capacidade de sofrer modificações do que se pensava há alguns anos. Hoje, a neurociência mos­tra que até o cérebro adul­to pode ser sede de reno­vação, a partir de algumas áreas com capacidade pa­ra gerar novas células.

A avaliação neuropsico­lógica, por meio de seus instrumentos, vem contribuindo com a neuroplasticidade neu­ronal, e a importância desses instrumentos está principalmente na prevenção e detecção precoce de distúrbios do desenvolvimento e aprendizado.

Fonte de informação: Rotta, Tellechea Newra, Ohlweiler Lygia, Riesco Rudimar dos Santos – Transtornos da Aprendizagem – Por­to Alegre: Artmed, 2006.

Ana Aparecida A. Fonseca é neuropsicóloga. Atende na Cooperativa Bem Viver, que fica na R. São Pedro, 255, Ponte São João, Jundiaí, tel. 11-4607- 0725, www.bemviversaudeeducacao.com.br

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