Saúde

Prevenção de quedas e manutenção da mobilidade do idoso

Comentário(s) 24 novembro 2016

idoso musculacao

Segundo a definição, queda é “um evento não intencional que tem como resultado a mudança de posição do indivíduo para um nível mais baixo em relação à posição inicial, associado ou não a consequências”. Estes eventos, em idosos, se tornam mais frequentes e potencialmente perigosos com o passar do tempo.

As estatísticas mostram que cerca de 40% das pessoas de 65 anos ou mais tiveram um episódio de queda no último ano. Em indivíduos com 80 anos ou mais, esse número sobe para 50%.

Vale destacar que muitos destes acidentes ocorrem por alterações fisiológicas. Podemos destacar a diminuição da visão e da audição, o sedentarismo, distúrbios músculos-esqueléticos – como a fraqueza muscular e degenerações articulares, alterações na postura, no equilíbrio e locomoção, além de algumas deformidades nos pés. Outras mudanças também associadas ao envelhecimento, como a redução da velocidade da marcha, diminuição do comprimento dos passos e passadas, do impulso e a redução do balanço dos braços, rotação da pelve e apoio unipodal deve ser fatores levados em consideração.

Cerca de 1% das quedas tem como consequência a fratura fêmur, sendo que 90% destas fraturas, que causam um período médio de internação de 15 dias, além de longa reabilitação, são resultado das quedas. O idoso acamado perde 1,5% força muscular por dia, podendo chegar a 10% por semana.  Além dos efeitos negativos no corpo, há mudanças comportamentais que merecem atenção. O medo de cair – “fear for falling” – é uma das principais consequências de quedas, gerando um trauma psicológico no paciente.

As quedas são consideradas a terceira causa de morte em geral em idosos. Entre as causas mais comuns, relatadas pelos pacientes, podemos citar:

- Queda da pressão arterial ao levantar da cama – 22%

- Esbarrões ou escorregões em objetos que não são visualizados – 19%

- Enfraquecimento de ossos e músculos – 18%

- Uso de calçados inapropriados – 14%

- Obstrução dos caminhos dentro de casa como móveis, escadas, tapetes – 11%

Por isso, a prevenção é fundamental. O apoio da família e dos cuidadores também é importante neste contexto. É preciso dar atenção ao uso correto dos dispositivos de auxílio, ao calçado que o idoso usa, aos cuidados com o pé, aos exercícios que podem e devem ser praticados. O processo de envelhecimento provoca modificações nas estruturas anatômicas e fisiológicas do pé e o seu resultado pode ser dificuldade para caminhar e risco de quedas. 

Mantenha o corpo ativo e o fortalecimento dos músculos, para garantir melhor mobilidade. Nestes casos, o exercício resistido, com movimentos que utilizam pesos, tem demostrado efeitos promotores de força, saúde cardiovascular e alto grau de segurança geral. Os estudos com pessoas idosas têm documentado a importância dos efeitos dos exercícios resistidos para melhorar a qualidade de vida por meio do alívio de dores articulares, maior independência funcional e melhora da autoestima.

A segurança musculoesquelética e segurança cardiovascular dos exercícios resistidos também têm sido demonstradas, mesmo diante de co-morbidades. Estes exercícios apresentam evidências cientificas para a promoção de saúde e para reabilitação, podendo ser mais suaves do que o caminhar.

Artigo de Luciana Mastandrea, coordenadora da Fisioterapia do Instituto Biodelta

 

Edição 224

Setembro 2017

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