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PROTESTE ensina como ter embalagens livres de contaminação

Comentário(s) 03 novembro 2019

embalagem cuidados

A PROTESTE, Associação de Consumidores, faz um alerta sobre segurança alimentar envolvendo o modo correto de utilizar potes plásticos. Prestar atenção nos símbolos estampados nas embalagens de origem que usamos em casa é necessário. Há uma série de riscos à saúde que dependem essencialmente do material. Entretanto, existem formas de contaminação que estão diretamente relacionadas à utilização que damos aos recipientes.

Plástico pode representar riscos

Entre todos os tipos de embalagens comumente utilizadas, o vidro é sempre a melhor opção. Ele oferece uma elevada resistência térmica, é reciclável e não absorve os pigmentos, como no caso da cenoura e do tomate, e nem o cheiro, mesmo quando acentuado, como no caso da cebola e do alho.

A segunda melhor alternativa é o plástico. Se as embalagens deste material cumprirem os requisitos de segurança e forem usadas de forma adequada, não haverá migração de substâncias nocivas para comida que você irá consumir.

Contudo, uma embalagem inadequada para contato com o alimento ou para um fim diferente daquele para o qual foi concebida pode contaminar os alimentos. Nestes casos, quanto maior for o tempo e a temperatura de contato, mais intensa será a migração.

Uma das substâncias mais conhecidas por estar presente nos plásticos e pela sua capacidade de migração para os alimentos é o Bisfenol A, também conhecido como BPA. O BPA é uma substância química utilizada na produção de policarbonato, um tipo de resina que é empregado na produção da maioria dos plásticos.

O policarbonato é formado a partir de uma reação química entre o BPA e o carbonato de difenila ou cloreto de carbonila, sendo bastante utilizado na produção de garrafas retornáveis ou recipientes reutilizáveis, como potes plásticos, copos e mamadeiras. Possui resistência térmica e mecânica, além da alta transparência.

Porém, a presença de BPA pode ocorrer no plástico quando a reação química da produção de policarbonato é incompleta. É aí que mora o problema, pois se você aquecer a comida no pote plástico ou colocar uma preparação muito quente dentro do pote, como é o caso daquelas que são retiradas da panela logo que acabam de ser cozidas, é possível que ocorra a migração de BPA do plástico para o alimento.

Diversos estudos têm mostrado seus efeitos como disruptores endócrinos. Em outras palavras, isso significa que o BPA pode se comportar como hormônio sexual quando é migrado para os alimentos, e, dessa forma, passa a influenciar na ação de algumas glândulas e hormônios.

Entre os efeitos nocivos à saúde associados ao BPA, destacam-se baixa qualidade do esperma, endometriose, síndrome do ovário policístico, infertilidade, alteração dos hormônios da tireoide e maior incidência de câncer de próstata e de mama, entre diversos outros.

Empresas passam a não empregar BPA

No Brasil, o uso de BPA é proibido quando associado à fabricação e à importação de mamadeiras para a alimentação de crianças menores de um ano, pois está associado ao baixo peso corporal.

Já quanto à fabricação dos outros produtos, como potes, copos e garrafas, há um limite de migração de BPA permitido pela Anvisa, conforme pode ser conferido na Resolução n° 41/2011.

Embora o uso dessa substância seja considerado seguro para a saúde humana em doses baixas, alguns fabricantes têm se conscientizado sobre os efeitos negativos do BPA e não têm utilizado mais esse composto na fabricação de seus produtos.

Portanto, se você adora um potinho plástico ou quer comprar sempre aquele copo do desenho preferido do seu filho, tenha antes a certeza de que o produto não possui BPA em sua composição.

Códigos ajudam a identificar recipientes

Para não correr o risco de utilizar embalagens que contenham a referida substância química, o primeiro passo é identificar a presença, no recipiente, do código indicativo de que o produto é destinado para alimentos.

Em seguida, verifique se, na embalagem, há estampada a expressão “BPA free” (“livre de BPA”, em português). Se não encontrá-la, consulte o site do fabricante ou verifique o código de reciclagem, cuja presença em qualquer recipiente é obrigatória.

Geralmente, o código de reciclagem é encontrado na base do produto em forma de triângulo com três setas. Dentro de cada triângulo normalmente há um número que identifica o tipo de substância empregada na criação dele.

Entre os códigos existentes, o do tipo 5 é o mais comum nos potes plásticos utilizados para armazenar os alimentos. Eles são resistentes ao calor e não derretem, sendo seguros para o uso em micro-ondas. Quando o pote é retirado deste eletrodoméstico, permanece frio.

Estes plásticos costumam ser etiquetados adicionalmente com outros símbolos. No caso do uso permitido para micro-ondas. Caso o objetivo seja congelar alimentos, a etiqueta que indica a permissão para isto mostra.

Isopores podem liberar substância

Sabe os copinhos descartáveis de plástico utilizados para tomar aquele cafezinho na rua? Então, eles são feitos de poliestireno, derivado do petróleo e de código de reciclagem 6.
Esses copinhos podem liberar estireno (composto com potencial efeito cancerígeno) no momento em que entram em contato com um líquido quente, como é o caso do café.

Da mesma forma que os produtos que contêm BPA, existe uma quantidade máxima permitida pela legislação para o estireno. De qualquer forma, evite beber café nesses copos. Prefira carregar sua caneca de casa e, assim, preservará tanto o meio ambiente quanto a sua saúde.

Lembre-se de que embalagens para conservar e congelar devem ser específicas para esse fim e impermeáveis ao ar e à água, bem como resistentes a baixas temperaturas. E as mais apropriadas para isso são as de plástico e de vidro.

Para mais informações entre no site da PROTESTE: www.minhasaude.proteste.org.br

Edição 249

Outubro 2019

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