Saúde

Puerpério e suas dificuldades

Comentário(s) 02 junho 2017

Ao dar a luz, a mulher tem uma queda de hormônios que faz com que ela se sinta triste. Esse é um processo normal cha­mado Baby Blues e, quando não melhora depois de aproxima­damente 40 dias, pode evoluir para uma de­pressão pós-parto. Muitos aspectos emocio­nais são causados não só pelos hormônios, mas também pelas expectativas e pelas mu­danças da rotina.

A sociedade cobra da mãe um amor in­condicional pelo seu filho. A partir do mo­mento em que se sabe da gestação, ela po­de ir elaborando esse afeto durante a gravi­dez, porém dar a luz significa muitas coisas além de gerar um filho. A mulher tem o lu­to da gestação, pois essa fase já passou e fi­cará na memória, e o bebê que ela imaginou durante esses nove meses pode não corres­ponder ao que ela tem nos braços. O amor in­condicional muitas vezes não surge no pri­meiro olhar, mas sim nas relações posterio­res, como na amamentação, e a mulher aca­ba se culpando por não amar o filho incondi­cionalmente em um primeiro momento, pio­rando emocionalmente.

Dessa forma aparecem outras questões emocionais que deixam a mulher com o hu­mor depressivo. Atualmente, muitas mu­lheres trabalham fora, e a maternidade as coloca dentro de casa logo que o bebê nas­ce. Isso quebra a roti­na dessa mulher ati­va, que tem que lidar com um recém-nas­cido que chora e ne­cessita de atenção o tempo todo, sem fol­gas e sem poder dele­gar tarefas aos mais próximos pelo menos nos primeiros cuidados, como a amamen­tação. Alguns cuidados até podem, na teo­ria, ser delegados para outros familiares, porém a mãe, muitas vezes, se sobrecarre­ga por achar que essa é sua função e não percebe que ela também precisa de cuida­dos nessa fase. A mulher acaba se enclau­surando em casa, pois o bebê ainda não po­de sair muito por não ter tomado as prin­cipais vacinas.

Uma alternativa para quando o bebê já pode sair um pouco mais é o projeto Cine­materna, no qual as mães vão ao cinema acompanhadas de seus filhos, ou seja, o fil­me é para público adulto e adaptado para os bebês. Desse modo, as mães não se iso­lam nesse período de puerpério diminuin­do assim as chances de ter problemas emo­cionais. Dá para saber mais no site: www.cinematerna.org.br.

Artigo da psicóloga clínica Cintia Tonetti (CRP 06/97847), voluntária do projeto Cinematerna. Contato: tel. 11-97642-9119

Edição 224

Setembro 2017

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