Saúde

Reposição hormonal x câncer de mama

Comentário(s) 19 novembro 2019

 Diante de um novo estudo publicado esse mês pela revista The Lancet, foi confirmado que a terapia de reposição hormonal pode aumentar os riscos para o câncer de mama.

Pesquisadores descobriram que mesmo a versão que era considerada ‘sem riscos’, feita apenas com estrógeno puro, pode elevar o risco da doença. Eles fizeram uma revisão de 58 estudos envolvendo mais de meio milhão de mulheres entre 40 e 59 anos. A equipe dividiu as participantes em dois grupos: aquelas que desenvolveram câncer de mama (143.887) e as que não mostravam sinais da doença (424.972). Ao analisar o grupo com câncer, os cientistas notaram que mais da metade das mulheres usaram terapia de reposição hormonal.

Com base nesses dados, a equipe concluiu que o uso de TRH na menopausa aumenta o risco de câncer de mama. A equipe ainda notou que esse risco permanecia relevante mesmo depois de 10 anos do fim do tratamento. A intensidade do risco, no entanto, estava relacionado à quantidade de tempo que a mulher fez uso dos hormônios sintéticos.

Porém, pesquisadores apontaram que desde que feito por períodos curtos, o risco para câncer de mama é baixo. No estudo, os pesquisadores apresentaram uma tabela apontando o aumento do risco conforme o tempo de uso da terapia hormonal:

Tempo de uso  Aumento do risco
Até 1 ano              8%
2 a 4 anos            17%
5 a 9 anos            22%
10 a 14 anos            43%
Acima de 15 anos            58%

 A menopausa é uma fase que traz, para muitas mulheres, uma série de desconfortos e geralmente se inicia entre os 45 e 50 anos de idade. Para amenizar os sintomas desagradáveis desse período recomenda-se a reposição hormonal. No entanto, mulheres com histórico de risco para o câncer de mama ou endométrio devem ser acompanhadas com mais cautela. Neste caso, segundo dr. Rogério Fenile, mastologista pela Unifesp e membro titular da Sociedade Brasileira de Mastologia, a alta dosagem de estrogênio é uma preocupação.

“Neste grupo, a incidência de tumores pode aumentar, por isso, existe o cuidado maior, com esse possível efeito colateral. Mesmo sendo necessário ter cautela com os tratamentos hormonais, existem alternativas não hormonais e fitoterápicas que podem ser avaliadas e discutidas com um especialista”, afirma o médico.

“Esses novos estudos nos alertam para a necessidade de pesquisar os riscos que cada paciente tem, para então fazer ou não a TH. Lembrando que reposição hormonal não tem como função exclusiva tratar o mal estar da menopausa, como os calores, a fadiga ou a irritabilidade, mas também a perda de libido e a osteoporose”, explica o especialista.

De acordo com Fenile, quando se escolhe pela TH, para se livrar do desconforto ou tratar outras patologias, é extremamente necessário fazer o acompanhamento minucioso e regular, preferencialmente com um mastologista, além da realização da mamografia anualmente, e, em alguns casos a ultrassonografia das mamas. “Por meio desse acompanhamento, podemos estar atentos a qualquer nódulo ou alteração que nos alerte para a doença”, finaliza.

Dicas para prevenir o câncer de mama e ter uma vida mais saudável:  

- Ir às consultas de rotina com o ginecologista e/ou mastologista regularmente;

- Conhecer o próprio corpo e fazer o autoexame uma vez ao mês;

- Realizar a mamografia anualmente a partir dos 40 anos de idade;

- Estar atento à obesidade e ao sedentarismo;

- Optar por uma alimentação saudável;

- Praticar atividades físicas, pelo menos, três vezes por semana;

- Evitar o tabagismo e o excesso de bebida alcoólica.

 

Foto: Freepik

Edição 250

Novembro 2019

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