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Saiba como tratar as lesões na dança

Comentário(s) 17 agosto 2017

bailarina

Esforço e disciplina são a base de qualquer dançarino. Repetições de movimentos e a execução de forma inadequada, sem acompanhamento de profissionais, podem acarretar em sérios problemas de saúde. De acordo com uma pesquisa, feita pela Universidade Wolverhampton constata que, as lesões sofridas durante a dança são mais frequentes do que em outros esportes. O estudo ainda afirma que, 80% dos atletas sofrerão traumas que podem afetar sua vida profissional na dança.

“Antes de enfrentar esses problemas é essencial que o dançarino esteja atento a importância dos alongamentos antes dos treinos, da postura, ficar alerta aos sinais de dores e não arriscar técnicas sem acompanhamento e experiência. Tudo isso leva muitas vezes ao afastamento das atividades e, em alguns casos, até mesmo para sempre”, afirma a ortopedista e traumatologista do Hospital Moriah, dra. Juliana Doering (CRM 144.528).

A médica ainda afirma que o diagnóstico nem sempre é feito de forma adequada. “Os diagnósticos são dados de forma correta apenas por especialistas no assunto. É importante procurar por profissionais ou instituições que realmente tenham a vivência e experiência com essas lesões, o diagnóstico tardio ou errado pode acarretar em sérios problemas e até mesmo em frustrações psicológicas”, alerta.

Para auxiliar nesse assunto e alertar para alguns casos, a dra. Juliana esclarece dúvidas frequentes sobre as principais lesões associadas à dança. Confira:

Quais são as principais lesões?

Conseguimos, após estudos e pesquisas, identificar seis problemas que ocorrem com mais frequência. São elas: Entorses de tornozelo, joanetes dolorosos, dor da parte da frente (durante grand pliés) ou de trás do tornozelo (durante a ponta e meia ponta), tendinites, fraturas por estresse e traumas.

Como o dançarino pode sofrer essas lesões?

Os excessos de ensaios são os mais comuns, afinal para chegar à perfeição é necessário fazer movimentos repetitivos por diversos dias, meses, anos. Outro fator são condições físicas predisponentes, por exemplo, os pés chatos e frouxidão ligamentar. Além das tendências familiares (hereditária) e até mesmo o uso das sapatilhas de ponta, usadas no Ballet.

Como prevenir?

Todo atleta precisa ter acompanhamento médico para orientações gerais. É importante ficar atento aos sintomas e dores para que se possa iniciar a fisioterapia e cuidados precoces, assim evitando a evolução dos problemas.

Quais os tratamentos específicos?

Depende da lesão, mas cada uma exige um método diferente de tratamento.

  • Entorses do tornozelo e tendinites: é necessário realizar fisioterapia. Caso as entorses ou tendinites sejam recorrentes é preciso optar pelo procedimento cirúrgico;
  • Os joanetes das bailarinas: diferentemente de como tratamos indivíduos que não são bailarinos, neste grupo de atletas o correto é optar pelo tratamento não cirúrgico. Hoje em dia com novas técnicas os resultados da correção cirúrgica são excelentes do ponto de vista de dor e estético, porém, nota-se com frequência certa perda de mobilidade da articulação do dedo o que, no caso de um bailarino, poderia prejudicar gravemente sua habilidade em subir nas pontas do pés, e inviabilizaria realização de giros no próprio eixo.
  • Dores na parte anterior e posterior dos tornozelos: iniciamos sempre com o tratamento não cirúrgico, com fisioterapia. No caso de falha desse programa, e ainda na presença de pequenos ossos ao redor do tornozelo, optamos por cirurgias com técnica totalmente artroscópica, que consiste em um tratamento realizado de forma minimamente invasiva, com recuperação rápida e menores índices de dor.
  • Fraturas por estresse e traumas: dependerá da fratura, às vezes, suspender ensaios por algum tempo e fisioterapia já é suficiente, em outros casos, só tratamentos cirúrgicos.

Qual o tempo de recuperação?

Também dependerá da lesão. Lesões de tratamento conservador, procedimento relativamente simples, como as entorses leves necessitam de aproximadamente 4 semanas de recuperação. Já as fraturas por estresse podem levar até 6 meses para curar totalmente.

Edição 224

Setembro 2017

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