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Saiba tudo sobre a bebida que é “paixão nacional”

Comentário(s) 08 agosto 2015

cerveja

Cerveja engorda? A garrafa e a lata interferem na qualidade do sabor? O colarinho não serve para nada? Cervejas artesanais, especiais e mainstream: qual é a diferença? O beer sommelier Tulio Rodrigues responde às dúvidas que muitas pessoas têm sobre a cerveja, bebida considerada “paixão nacional”. Confira:

Cerveja deve ser colocada deitada na geladeira para gelar mais rápido.
Mito
. A melhor posição para armazenar e gelar cervejas é de pé, para que a superfície de contato do líquido com o ar seja menor. A cerveja deve ser resfriada gradualmente; colocá-la no congelador, só se for momentos antes de servi-la.

Cerveja não deve ser servida muito gelada.
Verdade.
Quando servida em baixíssima temperatura (“estupidamente gelada”, como costumamos dizer), a cerveja acaba anestesiando as papilas gustativas da língua, que fazem com que você perca a sensibilidade para degustar a bebida. O calor pede cervejas geladas, mas sem exageros.

Chope é a mesma coisa que cerveja.
Verdade. O chope e a cerveja são, sim, a mesma bebida. A única diferença é que a cerveja passa por pasteurização (um tratamento térmico que garante maior prazo de validade ao produto); o chope, por sua vez, não passa pelo mesmo processo, é mais calórico do que a cerveja e tem um prazo de validade menor.

Cerveja dá barriga.
Mito. Esse é o mito mais famoso que existe em torno da cerveja. A Ciência já comprovou que a cerveja, se consumida com moderação, não é a responsável pelo aumento de peso nem de gordura abdominal. Estudos mostraram que o que engorda não é a cerveja, e sim os alimentos gordurosos (salgadinhos e outros tira-gostos calóricos), que são comumente associados ao consumo da bebida.

Cerveja não pode estar inserida em um estilo de vida balanceado.
Mito. Esse é outro pensamento bastante equivocado disseminado aqui no Brasil. Assim como o vinho, a cerveja é feita de ingredientes naturais cujos benefícios são cientificamente comprovados. Um bom exemplo disso é a cevada, que dá origem ao malte, e o lúpulo. Ambos são ricos em antioxidantes, vitaminas e minerais, que, além de ajudarem a dar corpo, aroma, sabor e textura à cerveja, fazem da bebida uma aliada na dieta balanceada.

O colarinho tem uma função específica.
Verdade. A espuma protege a bebida da oxidação, ou seja, impede que ela entre em contato direto com o oxigênio, além de reduzir a perda de gás e ajudar a manter a temperatura. Dois dedos de espessura é o ideal.

Cerveja é uma bebida de baixa caloria.
Verdade. A maioria dos brasileiros não sabe, mas a cerveja é uma bebida de baixa caloria, se comparada com outras bebidas, como o vinho e até o suco de laranja. Uma taça de vinho tem 240 kcal, enquanto uma taça de cerveja tem pouco mais da metade disso (123 kcal). Além disso, a cerveja possui os mesmos compostos orgânicos benéficos à saúde que o vinho: antioxidantes, vitaminas e sais minerais.

Cerveja de garrafa é mais gostosa que a de lata (ou vice-versa).
Verdade. O produto é o mesmo, não importa o recipiente, porém, o aroma e sabor podem ser influenciados pelo modo de conservar e resfriar a bebida. Os excessos são prejudiciais para a degustação da cerveja; o ideal é manter a temperatura constante, seja ela fria ou sem refrigeração. Quando ocorre a mudança brusca de temperatura, o sabor da cerveja é prejudicado, sim.

Não existe copo específico para tomar cerveja.
Mito. Para que os diferentes sabores e aromas sejam ressaltados, cada estilo de cerveja pede um tipo de copo adequado. A pilsen pode ser apreciada em uma tulipa ou caneca, a lambic pede taças do tipo flauta e já a weissbier, copos maiores. Se não tiver o copo ideal, utilize taças de vinho branco.

A cerveja é mais saudável que as bebidas destiladas, como a cachaça e o whisky.
Verdade. É consenso médico e científico que bebidas fermentadas, como a cerveja e o vinho, são mais saudáveis que as destiladas, como a cachaça, o whisky e a caipirinha. Isso porque a cerveja tem teor alcoólico menor que as outras bebidas e o álcool da cerveja é obtido a partir de um processo natural chamado de fermentação, mais saudável, portanto.

A cerveja não tem ritos de degustação.
Mito. Apreciar e degustar uma cerveja pode ser uma verdadeira experiência sensorial. Para isso, é necessário ativar os cinco sentidos.  A bebida tem ritos próprios de degustação, assim como o vinho. Uma dica é procurar sentir os aromas da cerveja, criando uma memória olfativa da bebida, assim como o tato bucal e até a análise visual de uma cerveja (cor, transparência, formação).

O lúpulo (ingrediente natural que dá o amargor à cerveja) é um poderoso conservante natural.
Verdade. Para a Ciência e a Medicina, a função do lúpulo vai muito além de conferir o amargor característico de uma cerveja. Além de ser um poderoso conservante natural, que pode ser utilizado até na culinária, essa flor é a nova aposta da cosmetologia para clarear a pele e prevenir manchas e inflamações do tecido dérmico e está sendo usado na forma de peeling.

Cerveja e saúde não combinam.
Mito. A cerveja é o novo vinho. Já existe um consenso médico-científico de que é possível obter os benefícios do consumo moderado da cerveja se esse consumo for moderado e responsável. Os polifenóis (compostos orgânicos presentes na cerveja) desempenham importante função antioxidante no organismo.

Cervejas artesanais, especiais e mainstream são a mesma coisa.
Mito. As cervejas podem ser classificadas de acordo com a forma como elas são produzidas, mas todas têm seu público e o seu valor. A diferença básica entre elas é que as cervejas chamadas de mainstream têm um processo de fabricação bastante elaborado, complexo, justamente para garantir a qualidade da reprodutibilidade da receita, ou seja, são cervejas com processos de fabricação exemplares que garantem o alto padrão de paladar. As cervejas ditas artesanais têm foco na licença criativa: são cervejas de produções pequenas e mais ousadas, principalmente em termos de ingredientes (castanhas, especiarias e outras receitas até mais inusitadas.. Já as cervejas ditas especiais são todas aquelas cujo preço é 20% maior do que as mainstream. O que classifica uma cerveja como ‘especial’ é o valor puramente econômico.

 

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