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Seis maneiras de brincar com a leitura

Comentário(s) 21 agosto 2017

crianca lendo

Hoje em dia, a importância do exercício físico para a saúde é muito reconhecida. Mas já parou para pensar que a mente também pode ser exercitada? Da mesma forma que o esforço físico compensa, buscar melhores formas de usar o cérebro traz enormes benefícios a praticamente todas as áreas da vida.

Ler bons livros, gibis, charges, contos, tudo que possa exercitar nossa imaginação, contribui com a missão de ver o mundo por diversos olhares. Temos várias ferramentas ao nosso alcance, pois muitas empresas estão colocando suas marcas à disposição da criatividade e da leitura, como recentemente fez o McDonald’s, com a campanha Ler e Brincar.

Edward De Bono, professor da Universidade de Oxford, é criador de diversas obras, entre elas o livro “Os Seis Chapéus do Pensamento”, na qual propõe um conceito facilmente aplicável: experimentar formas de pensar diferentes das que se está habituado, tendo como objetivo novas ideias e modos de realizar ações.

Hoje, a ciência já sabe que a criatividade é uma competência treinável. Assim, usando as possibilidades trazidas pelos seis chapéus – ou seis formas de ver o mundo – De Bono nos mostra que podemos “alongar” e “fortalecer” nossas ideias para outros estilos, ampliando a capacidade criativa. Fica clara a importância de resgatar e criar espaços para a brincadeira, tão deixada de lado pelos adultos, pois o ato de brincar exercita conexões cerebrais que desenvolvem e enriquecem os pensamentos.

O convite é para que, ao ler as descrições dos seis estilos, você reflita sobre qual(is) do(s) chapéu(s) se identifica mais ou menos e sobre quais poderia começar a “vestir”.

Preto: é o chapéu do pessimismo, da crítica, que foca nos riscos e pede cautela ao adotar um novo procedimento ou forma de agir. Seu lado positivo protege de erros e problemas. Porém, quando usado em primeiro lugar, tende a rebaixar o clima e o humor. Este é um dos últimos chapéus a serem usados diante de uma situação de cenários incertos, pois bloqueia a criatividade.

Vermelho: o chapéu das emoções, da intuição e dos sentimentos. Gary Klein, pesquisador norte-americano, mostra que pessoas que tomam decisões importantes escutando a intuição se arrependem menos e ficam mais satisfeitas com suas decisões do que as que se baseiam apenas em dados racionais.

Branco: estilo de pensamento usado quando o foco recai sobre os dados “frios”: números, fatos, experiências, dados, imagens claras e palpáveis. Deve ser usado com cuidado, uma vez que esta atitude pode desmotivar a todos e gerar uma sensação de frieza e desinteresse.

Verde: associado com a criatividade, a fertilidade e a abundância de ideias, permitindo novas possibilidades e alternativas. Seu maior desafio é não se distanciar demais da realidade.

Amarelo: O foco desta atitude mental é voltado para os benefícios e a viabilidade das novas propostas – é o chapéu otimista. Esta forma de pensar animada e calorosa gera motivação e alegria no ambiente, porém, pede cuidados quando se torna muito ingênua e desmedida.

Azul: o chapéu do líder, que cuida da organização e busca as respostas para as questões essenciais: quem, como, onde, para que, com quem, para quando, para quem usar, e se, quais as consequências. É a atitude de perceber o todo e analisar as situações com base em processos.

Temos um tanto de cada um destes estilos de pensamento. Todos eles têm luz e sombra, hora e lugar para serem usados. Os estilos têm a ver com a história de cada um e a beleza da diversidade está em perceber como podem se completar.

Identifique no seu dia-a-dia quais chapéus são menos frequentes. Em grupo, elabore “problemas” que deverão ser resolvidos com cada pessoa vestindo um dos chapéus por rodada. Quando estiver brincando com os seus filhos, perceba os chapéus que está utilizando. Um dos motivos pelos quais crianças adoram brincadeiras é porque elas estimulam o uso variado dos estilos de pensamento.

Nos próximos dias, procure vestir sua mente com novos chapéus. Topa brincar de ler o mundo com novos olhos?

 

Edição 224

Setembro 2017

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