Saúde

Síndrome do Ninho Vazio

Comentário(s) 10 fevereiro 2016

A Síndrome do Ninho Vazio refere-se a um período de mudanças na vida do casal ou de um dos pais, depois da saída do filho de casa para morar sozi­nho, casar, trabalhar ou estudar fora. Os fa­tores sociais, físicos, culturais, individuais e econômicos influenciam no aparecimento e intensidade da síndrome.

Casais que viveram 20, 30 anos com seus filhos veem-se morando sozinhos novamen­te e não sabem como organizar a rotina so­mente como casal. Têm sensação de que a casa ficou vazia: não há mais barulho, a co­mida diminuiu, o so­fá ficou espaçoso, os banheiros, que an­tes eram disputados, agora têm horários livres. Essa sensação de vazio físico esten­de-se para um vazio corporal e psíquico, sentimento de ha­ver buraco e aperto no peito, humor deprimido. Em muitos ca­sos, o período da síndrome do ninho vazio ocorre paralelamente a momentos de mu­danças e crises, como menopausa, envelhe­cimento e aposentadoria, o que pode agra­var os sentimentos.

Percebe-se que em casos em que os pais vivem em função dos filhos, dando pouco investimento e importância a suas próprias necessidades (papel parental), a síndrome é vivida com maior sofrimento e dificuldades. É comum os pais apresentarem sentimen­tos ambivalentes: felicidade pela conquista e crescimento do filho X tristeza; vontade de deixar o filho amadurecer X dificuldade em aceitar e lidar com isso.

Com a saída do filho, a dinâmica do ca­sal, ou de um dos pais, caso não haja um ca­sal, forçosamente será outra agora, o que re­quer uma readaptação familiar. O casal (ou pessoa) passa a refletir sobre os rumos que suas vidas tomaram e que tomarão, questio­nam sobre suas satisfações e insatisfações. A crise instalada tem um potencial curativo e transformador de caráter positivo e saudá­vel. O casal pode demorar, ou não, para en­trar em contato com esse aspecto favorável da crise. Os casais que não conseguem en­frentar a crise e aprender com ela são os que, muitas vezes, precisarão de auxílio e apoio, até psicológico.

Para alguns, a nova constituição familiar é vivenciada como uma segunda oportunida­de para explorar no­vos caminhos e rede­finir papéis. Quando esse processo é vis­to como natural e ne­cessário para todos, o sujeito sofre uma transformação inter­na profunda, retorna com mais sabedoria da crise e ressignifica sua existência. Para outros, a situação po­de acarretar em divórcio, depressão e apare­cimento de doenças. Por um período, o senti­mento de ninho vazio é normal e até espera­do em certos casos – a pessoa entrará numa fase de readaptação e isso não acontece de um dia para o outro, é um processo.

O filho pode mostrar para os pais que não os está abandonando, mas sim indo viver a própria vida e que nessa nova etapa os pais se encaixam, de diferentes maneiras.

Um boa conversa sobre as expectativas, medos e desejos de cada um é importante para o processo fluir de forma natural e me­nos sofrida. Assim, podemos nos dar conta de que o ninho nunca está realmente vazio, mas sempre disponível para quem precisa de calor e proteção.

Raquel Marques Benazzi (CRP 06/102606)é psicóloga junguiana. Contatos: 11-99644-4776, quelbenazzi@gmail.com

Edição 224

Setembro 2017

Confira as edições anteriores

© Jornal Mexa-se 2013 todos os direitos reservados.

io! Comunica