Saúde

Suicídio: é possível evitá-lo?

Comentário(s) 23 setembro 2019

A campanha Setembro Amarelo foi criada em 2015 pelo CVV (Centro de Valorização da Vida), CFM (Conselho Federal de Medicina) e ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria) para conscientizar sobre a prevenção do suicídio. Isso porque, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), no Brasil ocorrem cerca de 32 suicídios por dia e essa taxa vem aumentando com o passar dos anos.

Hoje, o suicídio é a segunda maior causa de morte entre jovens de 15 e 29 anos, prioritariamente do sexo masculino. A decisão de tirar a própria vida é impulsionada, em mais de 90% dos casos, por distúrbios mentais e transtornos de humor, entre os quais depressão se destaca afetando 5,8% da população.

Contudo, a OMS afirma que nove em cada dez mortes desse tipo podem ser evitadas, por isso a prevenção é fundamental e pode ser realizada por meio de ajuda e atenção adequadas. Porém, por estar associado a transtornos mentais, que carregam forte estigma na sociedade brasileira, o tema ainda é tratado como tabu.

Para mudar essa realidade é preciso, em primeiro lugar, perder o medo de falar sobre o assunto, mas também existem outras ações que podem ser realizadas para diminuir o número de pessoas que tiram a própria vida:

Cuidado Emocional

“Individualmente, isso perpassa o autocuidado, a observação de rotinas saudáveis e o tratamento adequado de possíveis transtornos com a ajuda de um profissional. Prevenir é também falar abertamente sobre o assunto, trazer informação e facilitar o acesso a profissionais especializados”, afirma Felipe Farias, CEO e fundador da Moodar.  “Para prevenção ao suicídio é preciso promover o acolhimento integral do indivíduo por meio do investimento contínuo na saúde psicoemocional”, completa ele.

Apoio domiciliar

Grande parte das pessoas com pensamentos suicidas tem dificuldade em falar sobre o assunto, pois geralmente estão em intenso sofrimento emocional, e o tema ainda enfrenta uma grande estigma social. “Muitas vezes os pedidos de ajuda podem estar sinalizados de forma mais sutil na comunicação, como por exemplo, ‘tenho vontade de sumir’ ou ‘não quero acordar mais’. É muito importante que a família não ignore esses sinais e acolha através de conversas para buscar um melhor entendimento do que está acontecendo – dessa forma a pessoa poderá ter a chance de ter apoio para buscar um tratamento”, aconselha Milene Rosenthal, psicóloga e co-fundadora da startup Telavita.

Apoio organizacional

De acordo com Gustavo Ottoni, COO do Cíngulo, os problemas emocionais não podem mais ser encarados como ‘fraqueza de caráter’ ou com estigma e preconceito. Eles são reais, sérios e têm um alto custo pessoal e social. “Quando a empresa oferece o apoio e as condições para as pessoas se sentirem mais felizes, elas assumem as rédeas do seu próprio bem-estar emocional, o que, como consequência, gera maior capacidade produtiva para a empresa”, comenta Ottoni.

Edição 249

Outubro 2019

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