Saúde

Uma etapa sobre o adolescer

Comentário(s) 01 junho 2019

samira“A adolescência traz de volta e re­abre muitas dores e vivências de sofrimentos vividos na infância, muitos deles na mais tenra idade hoje. Nes­sas etapas de vida, as experiências e seus afe­tos não podem nem mesmo ser nomeadas pe­la falta de linguagem e permanecem represa­das num registro primitivo da mente. É neces­sário um trabalho psíquico que seja capaz de acessar essas esferas mentais para uma nova reformulação e processos mentais que permi­tam que haja elaboração e consequente forta­lecimento do eu”. (trecho do artigo da psica­nalista Denise de Sousa Feliciano).

Esse pequeno recorte de texto traz em seu conteúdo um dos mais importantes aspec­tos do desenvolvimento mental no período da adolescência. Nessa etapa, o desampa­ro na mais tenra infância, o não acolhimen­to, um bebê não olhado “pelos olhos da al­ma da mãe”, podem levá-lo a uma catástro­fe psíquica.

Nesse período o bebê não tem condições de lidar com tais emoções, muitas vezes tra­zendo um sentimento desolador de estar perdido em meio a um grande vazio. Quan­to mais precoce e intenso for esse sofrimen­to, maior será a gravidade das patologias psí­quicas que poderão se desenvolver naque­le indivíduo.

Nesse período não há simbolização nem linguagem para se expressar, a mente é in­vadida por sentimentos de desamparo, mas que não são compreendidos como tal. A de­sorganização é tamanha, como se tomásse­mos uma caixa de som que funciona com várias frequên­cias ao mesmo tempo, produ­zindo um chiado confuso, causan­do irritabilidade, um choro contí­nuo, os quais se, reatualizados na adolescência, produzem gritos e ataques agressivos po­dendo ser caracterizados por graves mani­festações de fúria.

A expressão desses ataques não é com­preendida racionalmente. O que se observa é um sentimento de sofrimento mental, um vazio devastador. É como se a mente entrasse em ebulição, sentimentos desconexos, uma grande dor mental, que podem levar o ado­lescente a saídas mais perigosas.

Esse período da adolescência deve ser acompanhado de perto pelos pais. Sinais como passar horas no quarto só rodeado de celular, jogos de computador, falta de con­tato social, grande irritabilidade e ataques de fúria são manifestações de que algo não está bem.

Um filho exige cuidados em muitas fases da vida, desde a tenra infância, passando pe­la adolescência e, por mais que se torne in­compreensivo o comportamento, o mesmo não deixa de ser um pedido de ajuda pelo adolescente.

Por Samira Ap. Bana (CRP 06-8849), psicóloga clínica.
Contato: (11) 97362-5757

Edição 244

Maio 2019

Confira as edições anteriores

© Jornal Mexa-se 2013 todos os direitos reservados.

io! Comunica