Saúde

Você conhece a Síndrome do Olho Seco?

Comentário(s) 19 agosto 2015

A Síndrome do Olho Seco afeta cerca de 30% da população em todo mundo. Muitas delas sofrem desnecessariamente porque não sabem que o problema tem solução, são incorretamente diagnosticadas ou não chegam a receber um tratamento adequado. Hoje, um diagnóstico correto com tratamento adequado pode ajudar a pessoa portadora da doença do olho seco a ter uma melhor qualidade de vida.

olho secoA Associação Brasileira de Portadores de Olho Seco (APOS), entidade criada pela iniciativa de portadores de olho seco, familiares, médicos e apoio de empresas da área farmacêutica, esclarece sobre o assunto.

O que é?

Síndrome do Olho Seco, ou Síndrome da Disfunção Lacrimal ocorre quando existe a falta de produção de lágrima ou quando esta está alterada em algum de seus componentes.

A lágrima é essencial para lubrificação, nutrição e proteção das estruturas oculares externas, como córnea e conjuntiva.  Quando alterada em quantidade ou qualidade, essas estruturas deixam de funcionar corretamente ou mesmo sofrem determinadas consequências, como:

- Ardor nos olhos;

- Coceira;

- Irritação;

- Olhos vermelhos;

- Visão turva, que às vezes melhora depois de piscar;

- Sensação de corpo estranho ou areia nos olhos;

- Desconforto quando se lê, vê televisão ou trabalha em frente à tela do computador por muito tempo.

Causas

Problemas na composição da lágrima. A lágrima é composta por três camadas: uma de água, outra de gordura e outra de muco, uma mistura ideal para hidratar os olhos da melhor forma possível. A alteração na composição da lágrima pode ocorrer por diversos motivos, como deficiência de vitamina A, menopausa,  problemas na glândula lacrimal, entre outros.

Fatores de risco para o olho seco:

- Idade: pessoas com mais de 40 anos são mais propensas ao problema, já que com o passar do tempo a produção de lágrimas diminui e as células que produzem seus componentes também envelhecem;

- Sexo: mulheres são mais propensas a ter olhos secos do que os homens, devido a alterações hormonais comuns na menopausa;

- Uso de anticoncepcionais: como as pílulas alteram os hormônios femininos, seu uso também pode tornar a mulher mais propensa a ficar com os olhos secos;

- Uso de lentes de contato: quem usa lentes pode sentir os olhos secos devido ao acúmulo de proteína na lente de contato, além da possibilidade de “perda” de conteúdo líquido da lágrima para a própria lente de contato, em alguns casos.

- Clima seco: quanto o tempo está mais seco, é mais fácil a lágrima evaporar, principalmente quando se trabalha diante do computador por muitas horas, o que reduz o número de piscadas e a renovação da lágrima;

- Não limpar a pele perto dos olhos: excesso de oleosidade ou mesmo resíduos de maquiagem na região dos olhos podem entrar em contato com a lágrima, alterando sua composição e resultando no olho seco.

-Uso de medicamentos como anti-histamínicos, diuréticos, antidepressivos, alguns remédios para a acne e descongestionantes;

- Carência de vitamina A;

- Doenças da tireoide;

- Parkinson;

- Doenças sistêmicas ou autoimunes: como artrite, lúpus, síndrome de Sjögren, Síndrome de Steven Johnson.

Tratamento

O colírio de lágrima artificial é a primeira escolha utilizada quando alguém apresenta olhos secos. Existem basicamente dois tipos de colírios lubrificantes: os com conservante e os sem conservante. Os primeiros têm uma maior chance de irritar os olhos, mas vale consultar um oftalmologista para saber qual deles é mais indicado para você.

Convivendo com/prognóstico

Cuidados em casa são essenciais para o tratamento dos olhos secos.

- Descanse os olhos: usar o computador ou ler por muito tempo força a vista e reduz o número de piscadas. A cada 50 minutos com olhar fixo no computador faça um pequeno intervalo direcionando os olhos para um ponto distante; além de auxiliar na Síndrome do Olho Seco, também ajuda relaxar a musculatura responsável pelo foco de perto.

- Acertar a altura da tela do computador: o ideal é que ele fique um pouco mais baixo do que a sua linha do olhar, em um campo em que o topo da tela está em seu campo de visão, assim você fica com os olhos um pouco mais voltados para baixo;

- Pisque com mais frequência: quando estamos diante de telas ou atividades que necessitam do olhar fixo, piscamos menos do que o necessário, o que prejudica a lubrificação da córnea;

- Beba bastante líquido: assim como os lábios e a pele se desidratam quando ficamos sem beber água, o mesmo acontece com os olhos.

- Umidifique o ambiente: ar seco ou com ar condicionado prejudicam os olhos secos, aumentando a sensação de olhos irritados;

- Use óculos de sol: eles protegem os olhos de irritantes como os raios UVB e ventos, que também podem irritar os olhos desprotegidos sem as lágrimas;

- Evite cigarros: a fumaça do tabaco pode piorar os sintomas de olhos secos, por isso o ideal é parar de fumar, no caso dos tabagistas, e também ficar longe de quem fuma;

- Higienize bem os olhos: retirando a oleosidade da pele e resquícios da maquiagem, você evita a danificação da lágrima ou entupimento das glândulas lacrimais;

- Complementação com ômega 3: esse ácido graxo ajuda na composição da camada mais oleosa da lágrima, importante para evitar que ela evapore facilmente.

Prevenção

- Descanse os olhos com frequência;

- Piscar – o uso de celulares, tablets e computadores causa uma tensão visual constante, pois a pessoa passa mais tempo com o olho fixo prestando atenção em um texto ou uma tela. Esse esforço visual constante faz com que a pessoa pisque menos do que deveria, prejudicando a lubrificação ocular e favorecendo a evaporação das lágrimas com mais rapidez.

- Outra forma de descansar melhor os olhos é mudar a posição do computador. O ideal é que ele esteja um pouco abaixo dos olhos, tendo a superfície da tela no seu campo de visão. Os olhos voltados para baixo ficam mais relaxados e também a pálpebra protege uma região maior deles, reduzindo a chances de olhos secos.

- Hidrate-se. A ingestão de líquidos, principalmente de água, é muito importante.

- Tome os cuidados adequados com sua lente de contato.

Mais informações: www.apos.org.br

 

 

 

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