Jornal Mexa-se

30 de janeiro 2020 às 15:00

A criança ainda não fala. Devo me preocupar?

Saúde

30 de janeiro 2020

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A criança ainda não fala. Devo me preocupar?

Primeiramente, é preciso pontuar que cada criança é única quanto ao seu crescimento. No entanto, é importante esclarecer que existem os chamados "marcos do desenvolvimento", que são padrões esperados para cada fase. Pequenas diferenças podem ser consideradas normais, mas crianças que se apresentam longe


das aquisições esperadas para cada faixa etária merecem uma atenção especial.


Naturalmente, o desenvolvimento das crianças gera muitas dúvidas e inseguranças aos pais, que ficam se perguntando o que é normal, como estimular e quando é indicado procurar ajuda.


Quanto ao desenvolvimento dos sons da fala, geralmente o bebê vai aprendendo a articulá-los por ordem de complexidade: do que é mais fácil articular para o que é mais difı́cil.


Mas isso não é necessariamente uma regra. Com poucos meses de idade, já é esperadoque o bebê seja capaz de balbuciar e emitir sons simples como "aaaa" e "eeee".


Por volta dos 12 meses, é esperado que a criança fale algumas palavras como "mamã" para mamãe e "não". Aos dois anos de idade é esperado que a criança seja capaz de juntar duas palavras.


De forma geral, o aprendizado dos sons da fala segue esse padrão (considerando as idades como limite para a aquisição):


- 1 ano e meio: m, b


- 2 anos: p, t, d, n


- 2 anos e meio: k, g, n


- 3 anos: s, z, f, v


- 3 anos e meio: ch (x), j


- 4 anos: l, lh, r, rr , s e r no meio de vogais (como em "barata") e em encontros consonantais (como em "praia")


O aprendizado pode variar um pouco de criança para criança. Mas se você perceber que ela está muito longe de conseguir falar esses sons é bom procurar uma avaliação fonoaudiológica.


O prazo final para a aquisição de todos os sons da fala é aos quatro anos de idade e o ideal é sempre intervir o mais cedo possı́vel, para evitar ao máximo maiores prejuı́zos e atrasos no desenvolvimento da criança como,


por exemplo, no processo de alfabetização.


Por Lígia Stevaux Nascimento, fonoaudióloga, formada pela Unicamp (CRFa 2 – 19153), com aprimoramento em fonoaudiologia hospitalar e especialização em motricidade orofacial. Contato: (11) 4521-2942