Jornal Mexa-se

16 de julho 2020 às 08:00

Diagnóstico e tratamento de câncer não devem parar na pandemia

Saúde

16 de julho 2020

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Diagnóstico e tratamento de câncer não devem parar na pandemia

Exames de rotina e procedimentos foram adiados e até suspensos devido à pandemia do novo coronavírus. Antes da chegada da Covid-19 no país, o Inca (Instituto Nacional do Câncer) estimava que 66 mil novos casos de câncer de próstata fossem diagnosticados neste ano no Brasil. No entanto, o isolamento social necessário para evitar a propagação do vírus respiratório pode ter retardado o diagnóstico precoce do tipo de câncer mais prevalente na população masculina, sem considerar os tumores de pele não melanoma.


Por isso, o dr. Carlo Passerotti, Coordenador do Centro de Cirurgia Robótica do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, alerta sobre a importância da realização dos exames de check-up oncológicos mesmo em tempos de Covid-19. "Em uma conta muito simples, estimamos que entre março e junho deste ano cerca de 22 mil novos casos da doença podem não ter sido diagnosticados em consequência da pandemia", aponta o especialista.


Deixar de realizar exames de check-up anualmente aumenta as chances de detecção da doença em estágio avançado. Dados da Sociedade Brasileira de Urologia mostram que 20% dos tumores de próstata são diagnosticados tardiamente e 25% dos pacientes morre em decorrência da doença. No entanto, quando há a detecção precoce, no estágio inicial, as chances de cura são em torno de 90%. Alguns dos tumores de próstata podem crescer de forma rápida, espalhando-se para outros órgãos e podendo levar à morte. A grande maioria, no entanto, se desenvolve lentamente, levando cerca de 15 anos para atingir 1 cm³.


O especialista reforça que um centro de excelência como o Hospital Alemão Oswaldo Cruz está preparado para receber os pacientes de especialidades não relacionadas à Covid-19 com total segurança em tempos de pandemia. "Entendemos que vivemos um momento atípico, mas a evolução do câncer não espera o fim da pandemia, é importante seguir com os tratamentos para evitar que a evolução dos tumores acelere e interfira no sucesso dos desfechos clínicos", alerta Passerotti.