Jornal Mexa-se

06 de novembro 2020 às 07:00

Transtorno Opositivo Desafiador

Saúde

06 de novembro 2020

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Transtorno Opositivo Desafiador

Sentir raiva, perder um pouco o controle, irritar-se vez ou outra,  ainda que “por motivos não muito sérios”, faz parte de todos nós humanos, sejamos adultos ou crianças.


Sim, crianças também podem ter seus momentos de raiva, indignação e irritação, e isso começa muito cedo, quando ainda se é um bebê. São as chamadas “birras infantis”.


O problema, no entanto, começa quando estas birras começam a tornar-se graves e contínuas. É aí que devemos nos preocupar, pois a criança pode estar desenvolvendo o Transtorno Opositivo desafiador- TOD e precisará ser tratada.


A neurologista infantil e da adolescência, dra. Gladys Arnez, especialista em Transtornos comportamentais na infância e adolescência e também em tratamento do autismo, explica um pouco sobre o assunto.


O Transtorno Opositivo Desafiador é um transtorno neuro psiquiátrico. Está dentro de um grupo de transtornos comportamentais destrutivos da infância, sendo mais comum na pré-adolescência e na adolescência, porém, pode surgir antes destas fases.


O TOD é uma condição responsável por comportamentos que são completamente restritivos em ambientes sociais. As crianças e os adolescentes incluídos neste quadro costumam manifestar momentos de raiva, insubordinação, teimosia constante, hostilidade, sentimento de vingança e uma grande dificuldade em obedecer a regras quando solicitadas.


“É fundamental saber diferenciar o TOD da birra”, diz a dra. Gladys Arnez. “A birra é um comportamento imaturo e transitório da criança na procura de expressar o que ela está sentindo ou conseguir o que ela quer, sendo mais comum em crianças com idades entre 10 meses e 2 anos e, normalmente, estes episódios passam antes dos 4 anos, principalmente quando os pais dão menos importância.


De acordo com a dra. Gladys Arnez, o que difere o Transtorno Opositivo Desafiador da “birra” é que o TOD caracteriza a criança como sendo sempre muito irritável, opositora, e que o tempo todo, com ou sem motivo, faz de tudo pra irritar os outros.  “É uma criança que não reconhece regras. Ela é sempre do contra, está sempre testando limites, não se importa com o sentimento dos outros, está sempre contra a família, amigos e não assume a responsabilidade dos seus erros, além de não ter medo de punição, fazendo com que tenha maior probabilidade de se envolver com drogas ou apresentar comportamentos ilícitos mais tarde”, diz a especialista.


Devido a este tipo de comportamento, estas crianças acabam sofrendo bullying por diversas vezes e/ ou perdendo oportunidades de eventos de escola, passeios e até amizades. Infelizmente, até mesmo entre os pais e irmãos, eles são mal falados, tratados diferentes e vistos como “ovelhas negras”.


Estudos mostram que em 50% dos casos a associação com o TDAH é frequente e deve ser observada e investigada, além de deficiência intelectual, transtorno bipolar e muitos outros quadros, os quais pode-se fazer o diagnóstico diferencial.


As causas


Quanto ao TOD, não se tem uma causa definida, mas acredita-se que a base dos relacionamentos familiares parece ser um fator importante para o desenvolvimento do distúrbio: violência doméstica, abuso sexual, abuso físico, negligência, abuso de álcool e drogas pelos pais, bem como conflitos familiares, podem desencadear o transtorno na criança.


Para fechar um diagnóstico correto é necessário ter no mínimo 6 meses de causa e apresentar pelo menos 4 dos sintomas principais que são: irritabilidade, comportamento desafiador, agressividade, impulsividade, dificuldades de relacionamento com colegas, comportamento vingativo, raiva e ansiedade.


O tratamento deste transtorno é interdisciplinar e depende de três bases: medicação, psicoterapia comportamental e suporte escolar.


A medicação ajuda na maioria dos pacientes e melhora a auto-regulação de humor frente às frustrações; a psicoterapia tende centrar em alterações comportamentais na família com medidas de manejo educacional (conversar com a criança, dar bons exemplos, ter paciência ao falar, explicar o motivo das ordens dadas etc.); e, em relação ao suporte escolar, deve-se oferecer reforço, apoio e abertura para um bom diálogo, pois esta abertura melhora o engajamento do aluno opositor às regras escolares.


 Se o seu filho tem TOD, confira algumas dicas:


- Tenha cuidado ao discutir algo da relação de casal perto da criança (caso more c/ o cônjuge);   
- Nunca use de agressividade e violência;
– Fortaleça a autoestima da criança, fazendo-a sempre se superar em boas ações;
– Em absolutamente todas as situações, utilize a boa conversa;
– Trabalho em equipe com práticas de esportes e atividades em equipe geram disciplina, assim como  cooperação e dinamismo;
– Repreender sempre, porém, com calma e sabedoria;
– Tenha paciência!