Jornal Mexa-se

09 de novembro 2020 às 07:00

Dente do siso: todo mundo precisa tirá-lo?

Saúde

09 de novembro 2020

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Dente do siso: todo mundo precisa tirá-lo?

Os dentes do siso, também conhecidos como "dentes do juízo", pela idade que normalmente erupcionam na cavidade bucal, são os últimos dentes a aparecer na boca, e a sua extração é uma cirurgia que causa muito receio às pessoas e geram questionamentos se a remoção é sempre necessária.


De acordo com um estudo publicado na Revista Surgeon, no Reino Unido, aproximadamente 152 mil pessoas realizam essa cirurgia; no Brasil não existe um dado exato, mas, seguindo a estimativa desta pesquisa, considerando o número de habitantes brasileiros, 480 mil pessoas realizam a cirurgia de extração do siso.


A sua principal função é aumentar a eficiência mastigatória dos alimentos mais sólidos e duros. No entanto, com as mudanças dos hábitos alimentares, a partir da introdução de alimentos cozidos e industrializados, que são mais fáceis de serem mastigados, esses dentes foram perdendo sua função e muitas pessoas nascem inclusive sem eles.


"60 a 70% da população são indicados para fazer essa extração; só no consultório onde eu atuo são aproximadamente 100 exodontias por mês. Por isso, é importante sempre fazer uma radiografia para verificar se eles realmente não estão presentes, pois podem estar dentro do osso e, às vezes, o paciente nem sabe da sua existência", comenta o cirurgião bucomaxilofacial dr. Fábio Ricardo Loureiro Sato.


Quando os dentes do siso começa a nascer, principalmente em pacientes em que os dentes são grandes para uma arcada dentária pequena, acontece de não ter espaço para eles saírem completamente e acabam ficando presos dentro da gengiva, e, associados com a dificuldade de higienização por estarem localizados no fundo da boca, podem gerar um processo inflamatório no local, causando mau hálito, dor e inchaço.


"Esses dentes também podem estar associados ao aparecimento de cistos e tumores nos maxilares. Por isso, em muitos casos, a extração dos dentes do siso é recomendada. Entretanto, se caso o dente consiga erupcionar totalmente e o paciente consiga manter uma boa higienização, a sua extração não é obrigatória", explica o dr. Fábio Sato.


A infecção na região é causada normalmente por acúmulo de restos alimentares abaixo da gengiva que recobre o dente. Esse problema é chamado de pericoronarite e a principal preocupação é que ele pode evoluir para situações de maior gravidade, com infecções que podem inclusive levar a morte.


A idade ideal para a remoção é entre 16 a 20 anos, quando a raiz não está totalmente formada e o osso ainda apresenta menor rigidez, o que facilita a extração e evita possíveis complicações, como fraturas de mandíbula e parestesia, que é uma dormência persistente após a realização do procedimento cirúrgico por alguma lesão nos nervos da região.


"Muito da preocupação que se tinha no passado em relação ao procedimento cirúrgico é minimizada hoje em dia com a utilização de técnicas avançadas, que melhoram a recuperação no pós-operatório. Uma cirurgia para extração dos dentes do siso raramente ultrapassa uma hora", afirma o cirurgião.


Além disso, ele complementa que os pacientes podem ser sedados, diminuindo o seu nível de ansiedade, tanto antes como depois da cirurgia, trazendo muito mais conforto. Isso possibilita a realização da extração dos quatro dentes do siso em uma única sessão. Em casos especiais, devido a algumas condições sistêmicas de saúde ou mesmo risco de fratura da mandíbula, esse procedimento pode ser realizado em ambiente hospitalar.


Em relação ao pós-operatório, ele costuma ser bem tranquilo, e depende muito da colaboração do paciente, respeitando as recomendações do profissional. A maioria das pessoas que passam por essa cirurgia relata praticamente ausência total de dor no pós-operatório.


"Para isso, é recomendado que nos primeiros três dias a dieta seja gelada e pastosa, e que atividades físicas mais intensas e a exposição ao sol sejam evitadas. Dessa forma, em poucos dias o paciente se recupera e já pode retornar às suas atividades normais do cotidiano", finaliza o dr. Fábio Ricardo Loureiro Sato.