Jornal Mexa-se

14 de novembro 2020 às 07:00

Vegetarianismo: tudo que é preciso saber para considerar este tipo de dieta

Saúde

14 de novembro 2020

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Vegetarianismo: tudo que é preciso saber para considerar este tipo de dieta

Embora faça parte da mesa do brasileiro, as proteínas de origem animal não são as únicas fontes de aminoácidos essenciais que necessitamos para o bom funcionamento do organismo. É possível encontrar o mesmo nutriente em combinações simples.

Segundo a nutricionista da clínica Atual Nutrição, dra Cátia Medeiros, é perfeitamente possível chegar nas necessidades orgânicas diárias, através de substituições. "A famosa dupla do arroz e feijão consegue nos dar um suporte no consumo de um bom perfil protéico, pois o que falta em um alimento tem no outro e, quando os unimos na refeição, chegamos no que era esperado vir através de uma carne, por exemplo".

Isso quer dizer que, apesar do nosso organismo precisar dos nutrientes que a proteína animal fornece, ela não é a única fonte. Com as adaptações corretas, o corpo vegetariano é totalmente saudável.


De olho nas vitaminas

Para retirar de vez o consumo de proteína animal da dieta, é preciso buscar orientação para substituir com alimentos que forneçam os nutrientes necessários para o corpo e não se tenha o risco de ter uma deficiência protéica, desenvolvimento de anemia, alteração de sistema nervoso, entre outros.

Ao serem excluídos alimentos de origem animal, nutrientes como vitamina B12, cálcio, ferro e zinco, podem ter seu consumo comprometido. Também pode acontecer deficiência de ácido graxo ômega 3, fornecido pelos peixes e ovos, por exemplo.


"Além disso, a grande ingestão de fatores antinutricionais presentes em inúmeros alimentos vegetais, se não forem inativados corretamente, ou tiverem sua ingestão devidamente orientada, poderão comprometer a absorção de vários nutrientes, aumentando o risco de deficiências nutricionais", comenta Cátia.


Substituições que dão certo

Problemas nutricionais podem ocorrer com qualquer pessoa, por isso, atentar-se às substituições é fundamental para oferecer ao organismo tudo que ele precisa, e com os vegetarianos não é diferente.

"Para substituição destes alimentos de origem animal, é preciso garantir um consumo diário de leguminosas (feijão de qualquer tipo, soja, ervilha, lentilha, grão de bico) junto aos cereais (milho, arroz, trigo etc.). Isso é essencial para que se obtenha todos os aminoácidos necessários à síntese de proteínas pelo organismo", explica Cátia.


Quanto à ingestão de ferro, a nutricionista explica que as fontes vegetais do mineral não fornecem boa absorção como a de origem da proteína animal, por isso, é importante consumir alguma fonte de vitamina C para que o organismo consiga absorvê-lo. "Para garantir a ingestão diária de ferro é necessário consumo diário de cereais integrais, aumentar o consumo de leguminosas, ingerir oleaginosas em geral, sementes e frutas secas, usar melado ou açúcar mascavo como adoçante e ingerir mais fontes de vitamina C junto às refeições principais", acrescenta Cátia.


A nutricionista ainda explica que é preciso evitar o consumo exagerado de fibras, pois elas podem diminuir o consumo energético, pois oferecem grande sensação de saciedade, diminuindo a absorção de minerais como ferro, zinco, selênio. "A dica é utilizar uma mistura entre cereais integrais e refinados", completa.

Para quem está considerando o vegetarianismo, Cátia salienta a importância de se conversar com um profissional especialista, pois a quantidade de nutrientes que precisa ser ingerido tem como base de cálculo, idade, metas como hipertrofia, emagrecimento e manutenção de massa magra. "Mas geralmente, de 0,75g a 1g /kg de peso/dia, já é suficiente. Lembrando que este cálculo é feito não por grama do alimento, mas por grama de proteína presente no alimento", finaliza.