Jornal Mexa-se

21 de novembro 2020 às 07:00

Câncer Infanto-juvenil: diagnóstico precoce pode curar até 80% dos casos

Saúde

21 de novembro 2020

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Câncer Infanto-juvenil: diagnóstico precoce pode curar até 80% dos casos

O mês de novembro também é marcado por conscientizar a sociedade sobre o câncer infanto-juvenil (novembro dourado). De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA), a doença é a primeira causa de morte (8% do total) entre crianças e adolescentes de 1 a 19 anos. Em contrapartida, 80% dos diagnósticos nessa faixa etária podem ser curados se diagnosticados precocemente e tratados em centros especializados, ainda segundo o Instituto.


Nos adultos, em torno de 90% do aparecimento do câncer está relacionado a fatores esporádicos e ambientais, sendo apenas 10% hereditários. "Diferente dos adultos, em que a exposição é maior aos estímulos nocivos ambientais, hábitos de vida não apropriados, uso de medicamentos e alimentação inadequada por longo período, nas crianças isso não acontece, primeiro, devido ao tempo muito curto de vida não possibilitar a exposição a fatores ambientais prejudiciais ou mesmo a fatores endógenos - substâncias produzidas em nosso organismo, como hormônios - e, segundo, porque não há grande facilidade de acesso voluntário à maior parte dessas substâncias", explica o dr. Evandro Carneiro, pediatra e médico intensivista da Unidade de Onco-hematopediatria do IBCC Oncologia. 


No próximo dia 23 de novembro é lembrado o dia nacional de combate ao câncer infanto-juvenil e o pediatra destaca que em crianças e adolescentes, a incidência do câncer é:


1º: Cânceres hematológicos ou medulares, representado pelas leucemias originadas tanto nos gânglios linfáticos: as leucemias linfoblasticas/linfóides e linfomas, quanto as originadas na medula óssea: as leucemias mielóides.


2º: Tumores de sistema nervoso central, seguido dos cânceres de origem em gânglios neurais - os neuroblastomas de glândula suprarrenal -, ou de gânglios paravertebrais, que também costumam invadir a medula óssea.


3º: Tumores renais


4º: Tumores ósseos


5º: Cânceres de partes moles


6º: Câncer ocular


Como diagnosticar?


A partir de alguma queixa de dor ou desconforto da criança aos familiares, é necessário procurar o pediatra, que utilizará o recurso do interrogatório complementar sistematizado. Na maioria dos casos, o médico fará exames físicos mais atento caso possua alguma suspeita ou sinal de alerta de alguma patologia oncológica e, em complemento aos exames, fará a investigação de baixa invasividade, que auxilia tanto na detecção quanto no diagnóstico do câncer infantil. "Podem ser utilizados recursos desde o diagnóstico por imagem, com uso de ultrassonografia de alta resolução, ressonâncias nucleares magnéticas e PET-Scans cada vez mais potentes, passando pela grande disponibilidade de recursos endoscópicos e de patologia celular e até exames diagnósticos moleculares e genéticos cada vez mais acessíveis, acurados e específicos", detalha a dra. Emanuelle Tramonte, pediatra da Unidade de Hematologia e TMO infantil do IBCC.


Existem sinais que servem de alerta aos pais?


Os pais devem estar atentos à palidez cutâneo mucosa, crescimento de gânglios (caroços no corpo) e sinais de sangramento, além de hematomas espontâneos no corpo e febre. A melhor maneira de diagnosticar e controlar o câncer é através da pesquisa direcionada da doença, com profissionais qualificados e direcionados para a investigação de sinais e sintomas relacionados ao problema.


Evolução da ciência e tratamentos eficazes


Especialmente para os cânceres de origem hematológica, as leucemias linfóides, mielóides e linfomas, como são historicamente os mais frequentes, a ciência, preocupada, evoluiu muito através dos tempos tanto na sua detecção quanto no seu tratamento. Ainda de acordo com o médico, há ensaios para tratamento, coleta e análise dos dados resultantes de cada terapia, protocolos internacionais para controle de cada doença, em cada estado de invasão estabelecidos como os de melhor resposta e aplicados por todo o planeta.


"Ao  associar aos protocolos internacionais de tratamento a modalidade terapêutica do transplante de medula óssea, os resultados do tratamento se tornaram ainda melhores, chegando a níveis de cura de 80% e, em algumas situações, até ultrapassando esta marca", finaliza.