Jornal Mexa-se

10 de março 2021 às 07:00

Exercícios físicos previnem doenças degenerativas

Esportes

10 de março 2021

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Exercícios físicos previnem doenças degenerativas

Todo mundo sabe que a prática de atividades físicas traz diversos benefícios à saúde. Além dos resultados estéticos, movimentar o corpo faz bem para o coração e para a mente, pois ajuda no controle da ansiedade e do estresse. O que pode ser uma novidade é que o exercício físico também serve para prevenir doenças degenerativas.


Estudos indicam que a atividade física gera efeitos protetores em quase todos os órgãos do corpo, o que estimula a prevenção. A médica dra. Georgia Zattar tira dúvidas sobre essa relação.


De que forma o exercício físico previne as doenças degenerativas?


É fato que a atividade física possui benefícios para a saúde, bem estar e estética. Durante o exercício, temos um aumento da demanda metabólica do musculo esquelético em contração, com isso há uma alteração da homeostase do corpo todo, resultando em efeitos sistêmicos positivos para a prevenção de doenças. Após repetidos desafios, ocorrem adaptações que estão associadas à melhoria da saúde e do bem-estar.


Em outro estudo, foi demonstrado que vesículas extracelulares (EVs) são liberadas na circulação durante o exercício como um meio potencial para comunicação entre tecidos, incluindo os do cérebro. "Portanto, esses EVs liberados durante o exercício podem ser um mecanismo pelo qual a atividade física regular pode retardar ou prevenir doenças neurodegenerativas, como a Doença de Alzheimer, declínio cognitivo relacionado à idade e demência vascular".


Quais das doenças degenerativas são prevenidas?


Uma revisão sistemática da Psychol Med com estudos epidemiológicos e prospectivos mostraram que os exercícios reduzem os riscos de demência e Doença de Alzheimer em 28% e 45%, respectivamente. Está bem estabelecido que novos neurônios são capazes de crescer dentro do giro denteado do hipocampo e foi demonstrado em roedores que a atividade física é capaz de aumentar a neurogênese, com exercícios que mais do que dobram a produção de novos neurônios.


O exercício físico também funciona como um tratamento para os pacientes já diagnosticados com esse tipo de doença?


Evidências crescentes de que o exercício pode levar à descoberta de uma série de novas terapias que podem ter como alvo uma ampla gama de condições crônicas, incluindo distúrbios neurodegenerativos. O exercício demonstrou ter efeitos anti-inflamatórios no cérebro que se correlacionam com a função cognitiva. A redução de mediadores inflamatórios e o aumento dos anti-inflamatórios promove melhor resposta ao tratamento e melhora da função cognitiva.


Vale qualquer exercício físico ou algum tipo é mais efetivo do que o outro?


Qualquer exercício físico é valido, e tão importante quanto isso é a constância dos hábitos. O sobrepeso hoje é uma pandemia mundial e a projeção é que em 2025 haja 2.3 bilhões de pessoas com sobrepeso e mais de 700 milhões de obesos se nenhuma atitude for tomada. Na obesidade e sobrepeso ocorre uma mudança no compartimento dos monócitos pró-inflamatórios (M1), que contribuem para o desenvolvimento de inflamação de baixo grau e aumento de monócitos imunossupressores que podem contribuir para o desenvolvimento de câncer, por exemplo. Toda essa inflamação crônica aumenta o risco de outras doenças inflamatórias como, por exemplo, doenças degenerativas.


A inatividade física é um dos fatores de risco mais fortes que contribuem para doenças crônicas, as quais representam a maior parte de doenças em todo o mundo, sendo um dos maiores preditores de mortalidade. Hoje, o Brasil está na 5ª posição no ranking mundial de sedentarismo e lidera o status na América do Sul, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS).


Quais outras práticas evitam o surgimento dessas doenças?


Todos os 6 pilares da Medicina do Estilo de Vida promovem prevenção de doenças. São eles: controle de tóxicos, controle de estresse, alimentação, atividade física, relacionamentos e sono. Contudo, essa não é a realidade da maior parte dos sistemas de saúde do mundo. A abordagem convencional costuma tratar a doença quando ela aparece e através da prescrição de medicamentos, os quais, em inúmeros casos, causam mais danos do que benefícios. O The Institute of Medicine relatou ao The Wall Street Journal que uma abordagem holística dos cuidados de saúde que utiliza o melhor da medicina convencional, juntamente com terapias alternativas, como meditação, yoga, acupuntura e fitoterápicos, foi cientificamente documentada como efetiva.