Jornal Mexa-se

22 de março 2021 às 07:00

Refletindo sobre a intolerância à frustração

Saúde

22 de março 2021

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Refletindo sobre a intolerância à frustração

 O momento que vivemos exige muito de nós!


 Estamos assustados, inseguros e, sem dúvida, nos limitando bastante! Temos que aprender a tolerar as impossibilidades!


 Somos seres sociais, curiosos e gostamos de aprender. Mas a pandemia nos impõe restrições sociais, limitações de transitar em lugares diferentes, impede nossa capacidade de exploração na vida real.


 O momento é delicado na política, nas questões sociais, economicamente e psicologicamente. Vamos aguardar os desdobramentos de todas estas questões. O que não significa passividade! Sim, podemos continuar ativos, apesar de tudo! E podemos refletir muito para aprender aspectos que raramente paramos para pensar.


 Limitações nos impõe tolerar frustrações! Isso mesmo, quando não podemos fazer tudo o que queremos, e isso faz parte da vida (quem pode fazer tudo o que quer?).


Na pandemia esta questão se impôs de forma intensa e devastadora.


Preocupamos-nos em produzir, seguir a vida. Mas precisamos fazer isso de forma diferente, estamos aprendendo a criar alternativas. Ainda assim, com restrições!


O bebê, quando nasce, não diferencia Eu-Não eu (segundo Winnicott), sente que as necessidades são supridas, e não diferencia quem o faz. À medida que cresce e evolui na percepção, começa a diferenciar que há alguém que faz isso, há um outro ser que o atende, precisa aprender a esperar. Há uma mudança de percepção de mundo, e há aprendizagem de que não se pode ter tudo no momento que se deseja. Sim, função materna e paterna é ensinar os filhos a esperarem.


Desta forma, ao longo do desenvolvimento descobrimos que esforço, dedicação, esperar, paciência e tolerância são princípios de desenvolvimento que norteiam a vida humana.


À medida que descobrimos recursos como internet, aparelhos sofisticados de comunicação e agilidade nas informações, criamos paralelamente um mundo rápido, curioso, ágil e cheio de facilidades sim, muitas necessidades são supridas. Pense num momento como este se não tivéssemos estes recursos?


O que é preciso é refletir como muitas vezes nos ilude, como se pudéssemos ter, estar, fazer e suprir tudo o que precisamos... e aí não conseguimos nos desligar mais desta busca via ilusão da satisfação das necessidades.


Interessante ver como antes da pandemia muitos comentários giravam em torno de como encontramos tudo pela internet e, passado um ano, as pessoas perceberam que não é bem assim.


Nenhum recurso tecnológico supre o contato humano. Facilita comunicação, mas não substitui contato pessoal, presencial.


Vamos ter que lidar com esta frustração!


Sim, felizmente recursos tecnológicos proporcionam trabalhar, buscar conhecimento, é muito importante e interessante. Tenho observado jovens, profissionais, se dando conta que tais recursos não são tudo. Frustrante!


Frustração é um sentimento difícil de lidar! Traz raiva, desapontamento, decepção e muita impotência! Mas é ai que se evolui!


Crescer é difícil! Lidar com impotência é difícil!


Quando há superação desta primeira fase da frustração há movimento de busca! Assim, podemos acreditar que tolerar o momento nos tornará mais fortes!


Assim como na vida, pessoas com maior capacidade de tolerar frustração são mais propensas a não desistir e incrementar a capacidade de criar e buscar. Buscar o que queremos? Não, muitas vezes é o que é possível.


Eliete Celi Martini Orsi é psicóloga (CRP 06-15998-1, tel. 11-4586-5625).