Jornal Mexa-se

23 de março 2021 às 07:00

Entenda quando a sua pele te força a cortar o excesso de açúcar

Estética

23 de março 2021

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Entenda quando a sua pele te força a cortar o excesso de açúcar

Após anos com uma alimentação rica em açúcar e carboidratos (massa, doces e alimentos de alto índice glicêmico), sua pele pode sentir um processo de envelhecimento que culmina com a flacidez e o aparecimento de manchas. Isso é geralmente melhor percebido depois dos 30, mas por quê? “O consumo em demasia de carboidratos e açúcares pode desencadear o processo de glicação, em que as moléculas de glicose se unem às proteínas de elastina e colágeno — substâncias responsáveis pela firmeza da pele. O açúcar faz com que as proteínas se quebrem, o que aumenta o processo de envelhecimento da pele e a flacidez”, afirma a dermatologista dra. Claudia Marçal. “Os açúcares não devem compor mais de 10% de todas as calorias ingeridas. O consumo de açúcares adicionados e escondidos é um dos principais equívocos alimentares da dieta ocidental, com inúmeras consequências indesejáveis à saúde”, afirma a médica nutróloga dra. Marcella Garcez. Por esse motivo, é necessário ficar de olho no rótulo, em que esse tipo de ingrediente pode aparecer como açúcar demerara, açúcar orgânico, açúcar mascavo, açúcar de coco, mel, dextrina, frutose, glicose, glucose, maltodextrina, oligossacarídeos, sacarose, xarope glucose-frutose, xarope de milho e outros carboidratos simples.


O que acontece – Segundo a cirurgiã plástica dra. Beatriz Lassance, nos picos de glicemia alta, mesmo que por pouco tempo, a reação do organismo contra esta glicose é tão poderosa que, além desta via normal de diminuir a glicemia, enzimas não habituais também são requisitadas para ajudar no processo, o que gera produção de radicais livres. “E ainda, se tudo isso não for suficiente, a glicose reage com proteínas do organismo gerando o que chamamos de produtos finais da glicação avançada (AGE) que é a chamada glicação. A glicação das proteínas é piorada pela presença dos radicais livres em excesso. O excesso de radicais livres pode alterar proteínas, lipídeos e até mesmo o DNA. Na pele, o excesso de radicais livres pode danificar o DNA das células provocando menor atividade celular, menor produção de colágeno e fibras elásticas, menor atividade de células de defesa, menor poder de cicatrização. Isto ocorre de forma mais exuberante nos diabéticos tipo 1, onde não há insulina ou ainda tipo 2 onde não há produção suficiente de insulina e a glicemia é sempre alta, sendo sempre alto o estresse oxidativo e a glicação”, afirma a cirurgiã plástica.


A influência genética – Como se não bastasse, você ainda pode sofrer com uma influência genética, que altera de forma importante a maneira como o organismo combate a glicação, segundo o geneticista dr. Marcelo Sady. “Os genes AGER e GLO1 estão relacionados a um menor combate do fenômeno de glicação (ligação do açúcar com as proteínas de colágeno com consequente envelhecimento da pele). Com um exame genético, é possível prevenir e tratar o problema, já que o dermatologista pode indicar ativos antiglicantes para evitar a piora das estruturas da pele. Mas é necessário também que o paciente procure ajuda de um especialista para adequar a dieta, o que é um poderoso auxílio para minimizar esse processo causado pelo açúcar”, afirma o geneticista.


Adequar a dieta – Segundo a dra. Marcella Garcez, existem nutrientes como fibras, gorduras boas e proteínas que se forem ingeridos juntos com carboidratos refinados, doces e açúcares, reduzem a velocidade de digestão e absorção do açúcar no sangue, portanto diminuem o índice glicêmico. “As fibras, as proteínas magras e as gorduras boas agem reduzindo a velocidade da digestão e absorção dos açúcares, fazendo que não aumentem tão rápido os níveis de glicose e insulina circulantes. Já os ingredientes e alimentos termogênicos ajudam a aumentar o gasto calórico do processo digestivo, que resulta em menor aumento dos níveis glicêmicos e menor acúmulo de gorduras”, afirma a médica, que alerta que é necessário moderação e equilíbrio na dieta.


Prevenção – “Os estudos mais recentes mostram que cremes antioxidantes, antiglicantes e desglicantes fazem com que se combata esses radicais livres e o processo de glicação, portanto ajudando muito a combater o processo de envelhecimento causado pela glicação. Além disso, o que pode frear a glicação é uma dieta bem orientada, restrita, de baixo índice glicêmico e o uso de antioxidantes e antiglicantes por via oral”, afirma a Dra. Claudia.


Tratamentos – De acordo com a dra. Beatriz Lassance, existem tratamentos para a flacidez de pele, como o ultrassom microfocado Ultraformer III. “Ele utiliza uma tecnologia que emite energia mecânica através das ondas de ultrassom, que fazem micropontos de coagulação sob a pele e na gordura para tonificar o tecido cutâneo, estimular a produção de colágeno e conferir efeito lifting, o que dá fim à gordura e flacidez presentes na área tratada”, afirma a médica.


Em muitos casos, no entanto, é necessário utilizar suplementos orais, segundo a nutricionista Luisa Wolpe. “A maioria dos tratamentos estéticos para flacidez estimulam o fibroblasto através de fatores de crescimento a produzir mais colágeno, elastina e ácido hialurônico, melhorando assim a elasticidade da pele. Os ativos Exsynutriment e Glycoxil ajudam neste processo e servem como substrato para que os tratamentos estéticos realmente funcionem. O primeiro é um silício estabilizado em colágeno marinho que estimula a produção de colágeno, elastina e ácido hialurônico, diminuindo a flacidez. Já o Glycoxil é fundamental para esse processo, pois é uma carnicina antiglicante, ou seja, diminui o processo de glicação nas proteínas da nossa pele. O uso da carcinina diminui a flacidez e melhora a elasticidade da pele”, afirma Luisa.